<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-5263131920585591179</id><updated>2011-11-09T11:44:58.372-08:00</updated><category term='Meus pertences'/><category term='Perdi a moça que me habitava'/><category term='Leila'/><category term='Os filhos são como flechas'/><category term='Bula do amor'/><category term='Divertidades. Retratos'/><category term='A verdade assusta e faz rir'/><category term='Marino'/><category term='Teste vocacional para a terceira idade'/><category term='Devedores anônimos'/><category term='Perdi minha pedra gigante'/><category term='Não há órfãos'/><category term='seja bem-vindo ao Planeta Terra'/><category term='Meu nome é Maria'/><category term='A chave do cativeiro'/><category term='O bairro da Glória'/><category term='Um caminhão de mães'/><category term='Se a cidade fosse uma moça...linda e porca'/><category term='Rio de Janeiro é a cidade que te salva'/><category term='Ei-la'/><category term='só vc me entenderia'/><category term='meus bem-te-vis tão gagos'/><category term='Baldes de esquecimento'/><category term='Geribá'/><category term='Os nós imortais'/><category term='Reinventa-me que eu te idealizo'/><category term='finita como flores'/><category term='Nem a pétala morta dentro do livro é cafona'/><category term='A vida será curta de qualquer maneira'/><category term='Vendas on line'/><category term='Minha alegria'/><category term='Mudança'/><category term='Labirinto da criatividade'/><title type='text'>Finita como flores</title><subtitle type='html'></subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://finitacomoflores.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5263131920585591179/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://finitacomoflores.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>GH</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07665796476132680903</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='21' src='http://4.bp.blogspot.com/_124d0SzjgBw/TIVCzH1MR9I/AAAAAAAAK2U/CWALNRvLIMs/S220/GH.Alhambra.jpg'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>32</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5263131920585591179.post-7763936315147383156</id><published>2010-09-07T12:24:00.000-07:00</published><updated>2010-09-07T12:24:57.427-07:00</updated><title type='text'>Lisboa. Fernando Pessoa.wmv</title><content type='html'>&lt;object style="background-image:url(http://i4.ytimg.com/vi/KgGnfeIcxYk/hqdefault.jpg)"  width="425" height="344"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/KgGnfeIcxYk?fs=1&amp;amp;hl=pt_BR"&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/KgGnfeIcxYk?fs=1&amp;amp;hl=pt_BR" width="425" height="344" allowScriptAccess="never" allowFullScreen="true" wmode="transparent" type="application/x-shockwave-flash"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5263131920585591179-7763936315147383156?l=finitacomoflores.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://finitacomoflores.blogspot.com/feeds/7763936315147383156/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5263131920585591179&amp;postID=7763936315147383156' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5263131920585591179/posts/default/7763936315147383156'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5263131920585591179/posts/default/7763936315147383156'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://finitacomoflores.blogspot.com/2010/09/lisboa-fernando-pessoawmv.html' title='Lisboa. 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Há um mundaréu de adultos procurando seus pais verdadeiros, chorando ao rever a fachada da casa de sua infância. Há pais que nem se sabem, crianças sobrando enquanto casais desesperados tentam a fertilização in vitro. &lt;br /&gt;Sobram, no mundo, abraços infantis, faltam colos, faltam mimos, bebês ficam à mercê das leis nas maternidades enquanto mães verdadeiras levam para casa cicatrizes ainda úmidas de sangue, mãos vazias, casa sem berço, coração sem culpa, impotências. Há casais sem casa, maridos sem empregos. Uma pessoa sai de dentro da outra e isso não garante o laço. &lt;br /&gt;Mulheres e homens maduros estão parados em frente a casas, a túmulos, ou porta-retratos, tão órfãos quanto bebês abandonados no berçário enquanto a que pariu parte sem deixar pistas, rastros, migalhas de pão na floresta, nada que reconduza o filho um dia, que o ajude a refazer o caminho de volta, o reconhecimento, a linhagem, os labirintos do parentesco, e há laços de sangue nós de marinheiro inventados e fortalecidos pela convivência diária, pela escolha sem umbigos, pelo desejo de ter um filho, seja ele fruto de uma paixão, de uma noite, de um casamento ou de um amor desesperado e materno pulsando no coração de uma mãe verdadeira que não deu à luz mas procura seu filho legítimo deixado por outra em algum lugar onde poderá pegá-lo nos braços e levá-lo para a casa onde o berço espera embora a barriga nunca tenha sabido disso.&lt;br /&gt;Há muito mais: guerras que nos separam, pessoas desaparecidas, outdoors com  fotos  de crianças  perdidas, salas  de  aborto,  ninhadas. Nesse  exato  momento  há  uma mãe que chora, um pai que vai embora, um bebê que nasce morto, um avô velhinho que mata a família inteira de saudades quando morre, um parente que é o único que visita, um idoso sem memória esquecido num abrigo esperando um prato de comida, uma colher que lhe chegue à boca como papa para meninos pequenos, e uma legião de voluntários emocionados com tantos beijos, gotas de mel no mar de areia salgada, na imensidão do mar de areia salgada onde somos todos grãozinhos. &lt;br /&gt;Há olhos idênticos que nunca se viram, irmãos que não se parecem, famílias inteiras que desaparecem. Criança é milagre e entulho. Refugo, refúgio, fuga, carência, amor de mãe desmedido, incondicional,  sufocante. Um filho é um sonho, é vida na essência mais pura, é prova de existência, semente. Quero dar um colo, do tamanho do continente.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5263131920585591179-910095963015145391?l=finitacomoflores.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://finitacomoflores.blogspot.com/feeds/910095963015145391/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5263131920585591179&amp;postID=910095963015145391' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5263131920585591179/posts/default/910095963015145391'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5263131920585591179/posts/default/910095963015145391'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://finitacomoflores.blogspot.com/2010/09/um-caminhao-de-maes.html' title='Um caminhão de mães'/><author><name>GH</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07665796476132680903</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='21' src='http://4.bp.blogspot.com/_124d0SzjgBw/TIVCzH1MR9I/AAAAAAAAK2U/CWALNRvLIMs/S220/GH.Alhambra.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5263131920585591179.post-9043864325869543558</id><published>2010-09-05T18:37:00.003-07:00</published><updated>2010-09-05T18:37:57.165-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Rio de Janeiro é a cidade que te salva'/><title type='text'>Rio de Janeiro é a cidade que te salva</title><content type='html'>&lt;b&gt;RIO DE JANEIRO É A CIDADE QUE TE SALVA&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;RIO DE JANEIRO é a cidade que te salva. Vê-la, moça bonita que sangra por dentro, esconderijo das balas amargas perdidas depois de cortar o vento, encravadas bem aqui. Amá-la, a cidade, vez que enraizada nela.  Inseparáveis, concha e ostra e pérola, e marisco, e água, e pedra. Informal, alternativa, periférica, paradoxa, confusa. Hemorrágica, bela. Cuidem dela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;RIO DE JANEIRO. Quem olha não diz. Tamanha belezura passando por tantas dificuldades. É que Deus te fez forte, morros de pedra, hidratada, azul no céu dos olhos, marejada, alegre mesmo na dor. As maravilhosas também enfartam. Quando tensas, pressionadas, sem recursos, baleadas pela indiferença. Não são os tiros que matam, é a indiferença.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5263131920585591179-9043864325869543558?l=finitacomoflores.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://finitacomoflores.blogspot.com/feeds/9043864325869543558/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5263131920585591179&amp;postID=9043864325869543558' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5263131920585591179/posts/default/9043864325869543558'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5263131920585591179/posts/default/9043864325869543558'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://finitacomoflores.blogspot.com/2010/09/rio-de-janeiro-e-cidade-que-te-salva.html' title='Rio de Janeiro é a cidade que te salva'/><author><name>GH</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07665796476132680903</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='21' src='http://4.bp.blogspot.com/_124d0SzjgBw/TIVCzH1MR9I/AAAAAAAAK2U/CWALNRvLIMs/S220/GH.Alhambra.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5263131920585591179.post-6345236809143998586</id><published>2010-09-05T18:37:00.001-07:00</published><updated>2010-09-05T18:37:28.295-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='finita como flores'/><title type='text'>Finita como flores</title><content type='html'>Esperava um futuro e não era esse. Não era a juventude que nos tornava risonhos, alegres, ironicamente revolucionários, sem teses, praticando a liberdade feito loucos que se encontram no fundo de um sonho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O tempo vai passando feito flecha e a gente continua querendo transgredir, acreditar, viver paixões imensas, por pessoas, por ideias, por autores, por quadros, por cantos, por músicas, paisagens, loucamente apaixonados por estados de espírito e, pasmem, grisalhos, levando no fundo da mochila datada as asas do voo que não nos abandonou porque a passagem de um tempo não foi a passagem de um túnel, mas uma sequência de dias enfileirados num mundo que me estranha, desconfio dele, é certo, mas continuamos rindo como crianças, e esperando o futuro com tantos planos que penso em escondê-los dos bocós que nunca dançam sozinhos, nem viajam sem medo, nem tecem mirabolantes planos para um futuro sem nome, um pouco de loucura nos torna mais civilizados, conseguimos ver a insensatez e a inutilidade das convenções que nos cercam, tão loucas quanto as que nos cercavam quando tínhamos vinte anos, casacos marrons e cabelos ao vento. &lt;br /&gt;O mundo continua perverso e doido e nós continuamos sonhando e rindo, porque não há de ser nenhuma regra dessa sociedade doentia que vai nortear nossos caminhos de serpente. &lt;br /&gt;Somos poetas, artistas, doces subversões, quem sabe ainda aprenderemos a tocar violão, a falar espanhol, a dançar tango, e levar a vida na flauta comendo estrelas. &lt;br /&gt;Quero ser com sou para o resto da vida. E encontrar a morte completamente nua, treinando um passo novo, para que Ela nunca me reconheça, nunca me identifique, e me leve bem leve e me abandone exatamente onde acaba o universo finito, garantindo que eu não nasça nunca mais, que eu não reencarne nunca mais, que essa carne seja minha última morada e depois de morta eu me transforme num riso aberto no mundo das ideias. &lt;br /&gt;Lá, onde existe um cavalo alado à minha direita enquanto pensamento. Encontre-me lá, meu velho amor novo e perdido, e lá não haverá fidelidade nem juramentos, culpas nem perigo de contágio, mentiras ou exageros, sequer arrependimentos. Seremos desdobramentos, replicados, e poderemos viver várias vidas, e todas as mesmo tempo, sem precisar fazer de conta nem fugir do desejo que às vezes nos assalta, mão leve. O amor não será uma ameaça, a solidão não será um perigo. Fica comigo enquanto passa a chuva. Porque eu nunca mais terei teu cheiro em minhas mãos. Nunca retrocederemos no tempo. Nunca lançaremos mão de recursos de encontro. Fica comigo enquanto o sol se esconde, porque não sei quem és, não sabes quem sou nem eu, e até mesmo nossa existência é duvidosa, transcorre sem deixar pistas. Que espanem o pó no qual nos transformaremos. Pó de estrelas, transformando em gargalhadas tormentos. Que eu não pense em ti, não há um só momento. O futuro está chegando a cavalo. Ele é veloz e nos petrifica. Eu te perdi de vista. &lt;br /&gt;Mas as palavras jorram como água de fonte sem que eu lhes conceda um sentido. Pegue-as, não desperdice o séquito, lance-as ao vento do esquecimento porque sou finita como flores e nunca serei tua. Guarde seu desejo em segredo numa água forte e pinte um quadro realista. Ele será verdadeiro, atravessará os próximos séculos e viverá para sempre, pois a cada ano que passa aperfeiçoam-se as técnicas de restauro.&lt;br /&gt;Sou de uma geração que acreditava ser possível e provável mudar o mundo porque raios não davam câncer e fumar era chique. Meu tempo tinha cachos nos cabelos, noites sem perigo, riscos sem medo. Sexo não era veneno. O mundo não era pequeno. Plutão era planeta e regia meu signo. Hoje estou desgovernada. Compro remédios de paz. Te esqueci completamente e não sangro mais.&lt;br /&gt;Sou outra e preciso saber como esta criatura se veste, como ama, como reage, como é tratada. Passei a gostar de Mineirinho. É isso. Tenho essas pistas. No mais, redescobrindo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5263131920585591179-6345236809143998586?l=finitacomoflores.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://finitacomoflores.blogspot.com/feeds/6345236809143998586/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5263131920585591179&amp;postID=6345236809143998586' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5263131920585591179/posts/default/6345236809143998586'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5263131920585591179/posts/default/6345236809143998586'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://finitacomoflores.blogspot.com/2010/09/finita-como-flores.html' title='Finita como flores'/><author><name>GH</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07665796476132680903</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='21' src='http://4.bp.blogspot.com/_124d0SzjgBw/TIVCzH1MR9I/AAAAAAAAK2U/CWALNRvLIMs/S220/GH.Alhambra.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5263131920585591179.post-9121345730687344069</id><published>2010-07-18T20:09:00.000-07:00</published><updated>2010-09-05T18:36:28.280-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Perdi a moça que me habitava'/><title type='text'>Perdi a moça que me habitava</title><content type='html'>Perdi a moça que me habitava. Quem conheceu a moça que fui guarde o seu retrato. Quem não viu perdeu a chance. &lt;br /&gt;A pessoa que veio limpar a casa quebrou o espelho e nunca mais olhei-me por inteiro. Nunca mais esperei que ele telefonasse. Nunca mais quis abraçar o mundo. Há moças que nascem calmas. Eu quis comer o universo lambendo os dedos, e por isso a maturidade me soa estranha como uma música ao vivo sem ar e sem vento. &lt;br /&gt;Leio-me e parece até que fiquei velha, é mentira. Ontem mesmo usei gargantilha de sementes grossas feitas na aldeia indígena e alisei os cabelos cortados retos, ficando com cara de Cleópatra. Pintei as unhas de vermelho e saí, ombros de fora. &lt;br /&gt;Sou uma criatura ingrata. A vida me abre a palma da mão repleta de frutos para colher com parcimônia, mas eu me deixo influenciar pelos anúncios de juventude e invento que queria ficar congelada numa etapa da vida, e voltar para quando eu não tinha dinheiro para pagar as contas vencedoras e vivia fingindo que esperava o amor verdadeiro, ciente de que há coisas que não se colhe, se constrói, e outras para as quais não se tem vocação desde pequena. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sonho que abro a porta e vejo minha mãe com minha filha. É disso que tenho saudades. De estar no meio, entre a proteção e o futuro.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5263131920585591179-9121345730687344069?l=finitacomoflores.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='related' href='http://www.gloriahorta.net' title='Perdi a moça que me habitava'/><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://finitacomoflores.blogspot.com/feeds/9121345730687344069/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5263131920585591179&amp;postID=9121345730687344069' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5263131920585591179/posts/default/9121345730687344069'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5263131920585591179/posts/default/9121345730687344069'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://finitacomoflores.blogspot.com/2010/07/devaga-rsenhoras-atravessando-menopausa.html' title='Perdi a moça que me habitava'/><author><name>GH</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07665796476132680903</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='21' src='http://4.bp.blogspot.com/_124d0SzjgBw/TIVCzH1MR9I/AAAAAAAAK2U/CWALNRvLIMs/S220/GH.Alhambra.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5263131920585591179.post-3598760687711135035</id><published>2010-07-18T20:07:00.001-07:00</published><updated>2010-09-05T18:41:26.210-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Reinventa-me que eu te idealizo'/><title type='text'>Reinventa-me que eu te idealizo</title><content type='html'>Agora que eu te amo e tu me amas, corremos como cegos sem balizas, navegantes sem estrelas, náufragos sem medo, palavras realistas, ninguém nos espia, nenhuma constelação nos guia, escrevo globalizada, contando o marcador de visitas. Inventamos o enredo. Teus olhos no meu texto, teu rosto no meu sonho. O monitor tem línguas, falo, bafos quentes. Revendo teus dentes úmidos, como a fotografia. Quero que rias. Não sairemos de mãos dadas rumo ao lanche. Juntos, não atingiremos o clímax. Pensa em mim quando a juventude gritar nos hormônios que eu pensarei em ti quando o desejo vermelho ardente e crepúsculo. &lt;br /&gt;Você não bate bem do coração e eu moro pancada numa ilha. Pintarei meu cabelo de louro escondido para que penses em mim errado, como um velho retrato. Estou onde me amas, nas palavras. E estás aqui deitado ao meu lado, lendo à luz de velas, tenho medo de acender as luzes. Você, que me ama sem rodeios às seis e quinze e depois se esquece e chora pela ruiva da cuíca, está comigo nesse escuro de chama acesa flamejante, nós atados no circuito.&lt;br /&gt;Decidi lavar roupa suja no banho escaldante. Ou ferver com meu amante. Quem sabe deixaste um cheiro de homem em algum canto. Ou tenhas caído do céu como um anjo ardente e ferido. Estamos sós, meu querido. Vivendo um doce pecado, um bom-bocado. Leva-me em teu corpo como um amuleto e eu te levarei comigo em segredo. Não há fórmulas para isso. Estamos sós, sagrados ou profanos. Completos completamente perdidos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entre o sono e a vigília tu me comes. Sinto que é teu o mastro fincado na areia úmida. E roda, desenha o círculo como um pau de barraca de praia na areia fina, cava a carne como um punhal imaginário e preenche o vazio do buraco aberto em teu nome. Molhamos juntos os panos desfeitos sem a presença um do outro. Acordarei molenga como se tivesse passado a noite contigo. E estarás tão próximo que estranharei não tocar-te.  Funcionarei atravessando ruas engarrafadas e anônimas com um sorriso de dama bem comida, misturada à multidão subserviente que controla os relógios atenta aos semáforos e bloqueia os sonhos eróticos inventados de dia. O colar no pescoço não é joia, é língua, arfar nos brincos, braços apertados como cintos. A rotina burocrática passa correndo pelos arrepios, nunca sei o exato momento em que me cobres como manto ou se estou nua. Se o vento me levanta a saia, ou se me sopras. O sol pode ser teu fogo e se a chuva me pega pelas costas desprevenida é lambida indecente, eu correndo, fugindo na rua, blusa respingada, seios num balanço arrepiando os bicos na corrida. Se o escuro da noite mete medo metes em segredo. Ela lateja e flutua. Foi um sonho ou fui tua.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A paixão é ausência, arte, souvenir, patuá, santinho. Se tocada, é bolha. Se fugida, assalto. Perseguida, nuvem. A vida é tão rápida e tão bela que até a morte parece brinquedo. O gozo é tão fugaz que mete medo. Enfia, então, tuas fantasias pelo sonho adentro, e imagine que eu sou o que gostarias que eu fosse e que digo as frases que em minha boca à tua colas. Perderemos o juízo. Reinventa-me que eu te idealizo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;YO SOY      TÚ ERES&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;Com que humildade nos reunimos numa sala feia na feia Avenida Presidente Vargas e, indiferentes às nossas idades, de dezoito a setenta, começamos juntos a dizer yo soy, tú eres. Que gracinhas somos. Alguns depoimentos revelam quem começa a estudar espanhol porque não consegue mais fazer o dever de casa com o filho, ou ensinar ao neto, e se cala. Quem odeia a língua mas precisa. Quem guia, quem viaja. &lt;br /&gt;Há guerras, há sanguessugas, há desvio de dinheiro público, há fome, há tortura, há uma explosão de ataques em São Paulo nesse momento, e há o nosso próprio envelhecimento, uma violência silenciosa que se passa no interior do corpo e contra a qual não podemos sequer escrever cartas indignadas aos jornais de grande circulação. Entre ginásticas, terapias e vitaminas, nada nos resta a não ser aceitar a dor da perda do poder da juventude, o constrangimento da verdade do espelho que revela a lentidão de nosso desaparecimento, o embaraço de encontrar velhos os velhos amigos moços que embelezavam a vida, belos senhores, foram nossos amores. Ficam mais sós quando se tornam avós.&lt;br /&gt;Há mísseis, há libaneses e israelenses debaixo de fogo, há trombadinhas nas esquinas e noventa e oito ataques do crime organizado contra a cidadania desorganizada e pasma, não há leitos em hospitais públicos, e há nossa própria decadência física que se enraíza muito lentamente em rugas pequeninas, em fios brancos crescendo feito mata, a despeito da tinta com que colorimos os pêlos, os cabelos, a vida. &lt;br /&gt;Há roubalheira, mamata, bombardeios, barrigas, seios, solidões, silêncios, e são muitos quando o ninho está vazio e a menina do frescobol anseia por um neto.&lt;br /&gt;Afeto. Ternura. A filha está linda e a vida está dura. Pero mañana por la mañana estaremos juntos. E não teremos medo, de sequestros nem de espelhos. Apesar das sequelas. Estudantes que se expõem aos erros, sin duda, viveremos. Que a natureza nos avance na idade, invasiva e sorrateira, enquanto explode a cidade e roubam carteiras e dinheiro, de ambulâncias falsas, as que nos socorreriam. Yo soy, viste? Y tú eres. Ninguém nos mata a curiosidade. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;NÃO REPASSEM ESSA INFORMAÇÃO AOS SEUS AMIGOS E FAMILIARES&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;Recebi o seguinte e-mail:&lt;br /&gt;“ATENÇÃO NÃO DESLIGUE SEU CELULAR!!!&lt;br /&gt;Sabe aquele golpe que estavam dando dizendo que haviam sequestrado um parente seu e exigindo resgate?  Ele foi remodelado. Agora os bandidos ligam para você dizendo que'seu celular foi clonado:   Alô,Fulano? Nós somos da (VIVO / CLARO / OI/TIM) e gostaríamos de informar que seu celular foi clonado. Você poderia “desligá-lo por 1 hora apenas?”. Você, acreditando, desliga o celular. Os bandidos, então, ligam para sua casa e praticam o golpe do sequestro. Quem atende o telefone liga rapidamente para o celular da pessoa supostamente sequestrada e ouve: “Este celular está desligado ou fora da área de cobertura, tente mais tarde." ''Daí em diante é só pavor total, na família, nos amigos, no trabalho...”&lt;br /&gt;Recebi esta mensagem, como outras do gênero, e suponho que façam parte de uma campanha da indústria farmacêutica para incrementar a síndrome do pânico. Ingenuamente, aqueles que se preocupam conosco, colaboram com este terrorismo amigo. Deixem seus parentes em paz e se matriculem num cursinho de espanhol. É muito mais divertido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;PERDENDO SONO E PALAVRAS&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;Caio de paraquedas num curso de roteiro por engano. A professora lê meu nome na chamada e o reconhece, pergunta se eu lhe mandei e-mails. Desconverso. Tenho vergonha de dizer que estive na mídia em mil novecentos e oitenta e seis. Depois, loura de farmácia, aciona o Power Point. O item número um é “diferença entre aptidão e vocação para escrever”. Comenta a assertiva e assume que gostaria de escrever novelas das sete. &lt;br /&gt;Não digo que a televisão pode mudar o mundo em trinta dias, mas prefere vender produtos e espalhar más notícias. Vinte lhamas mortas no Peru são destaques no noticiário enquanto menores infratores reabilitados pela capoeira são quase um segredo. Há um mundo que canta, dança, escreve, inventa, mas a grande imprensa não divulga. &lt;br /&gt;Nas linguagens de transmissão oral, os idosos são os depositários do saber. A escrita pode ser a arte da  distorção. Não aprenda nada pela televisão. Confirme com um livro. Consulte um idoso culto. Ou mergulhe dentro de si mesmo. Encontrarás a mais requintada sabedoria. &lt;br /&gt;A professora cita a fórmula invencível dos roteiros americanos em que a trama, o clímax e o desfecho têm tempo certo e receita, e afirma que trabalhando assim se vende o produto. Quase levanto o dedo e digo que prefiro os filmes iraquianos aos de Oscar, que não sigo novelas nem manuais para ganhar dinheiro. Que sou poeta por maldição, dom, prêmio ou desgosto. Que não escrevo pensando em retorno, que psicografo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5263131920585591179-3598760687711135035?l=finitacomoflores.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://finitacomoflores.blogspot.com/feeds/3598760687711135035/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5263131920585591179&amp;postID=3598760687711135035' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5263131920585591179/posts/default/3598760687711135035'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5263131920585591179/posts/default/3598760687711135035'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://finitacomoflores.blogspot.com/2010/07/reinventa-me-que-eu-te-idealizo.html' title='Reinventa-me que eu te idealizo'/><author><name>GH</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07665796476132680903</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='21' src='http://4.bp.blogspot.com/_124d0SzjgBw/TIVCzH1MR9I/AAAAAAAAK2U/CWALNRvLIMs/S220/GH.Alhambra.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5263131920585591179.post-3295595578305621525</id><published>2010-07-18T20:06:00.001-07:00</published><updated>2010-09-05T18:11:37.158-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='A vida será curta de qualquer maneira'/><title type='text'>A vida será curta de qualquer maneira</title><content type='html'>A VIDA SERÁ CURTA DE QUALQUER MANEIRA&lt;br /&gt;Minha avó materna e meu pai morreram com pouco mais de cinquenta anos. E eu, cinquentona desajustada, uso saia justa e arrisco meio umbigo de fora. O desejo, quando volta, me alegra. O sono, quando perco, me irrita. Os amores mais fortes permanecem congelados como alimentos esquecidos no freezer.  Não  são comida caseira feita na hora.  Ao  longe,  um  copo  quebra, um samba toca, burburinhos da Lapa. Estou no limbo. &lt;br /&gt;Sou coroa, meio umbigo de fora, tenho uma casa alugada no útero de Minas e outra no coração de Búzios. Não quero que me classifiquem. Minha filha disse que sou barroca porque enfeito demais o apartamento. Tenho horror ao vazio e ao silêncio. Meu ex-amante, que nunca se explica, diz que eu sou prosaica, mas não se lembra de ter dito isso.  A memória dos ex cabe numa chicrinha. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meu desejo é como uma caravela em busca de Américas. Quero um continente totalmente novo e assumo o risco do naufrágio. Nunca uma geração que nasceu nos anos cinquenta viveu os cinquenta depois da virada do século, e por isso eu sou parte de uma fatia de enxutas que não pode ser estudada agora. O objeto da pesquisa está vivo e incerto. Deixem-me para depois. Integro uma experiência em andamento, calma! O coração raramente, mas dispara. Hormônios ainda gritam, prazo vencendo. Esperemos. A vida será curta de qualquer maneira. Eu estou cansada, mas estou inteira. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;BISCOITOS POR BEIJOS&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;Domingo é dia de visita no orfanato. Passo a tarde brincando com as crianças. Levo biscoitos e ganho beijos. Todos pensam que sou boa porque fiz um sacrifício e estou ajudando os outros. Mas a órfã sou eu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;O QUE EU VIM PEGAR AQUI?&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;A insônia e os “brancos” atingem pessoas de todas as idades, e populações inteiras passam o tempo em busca de sono e de palavras. Nesse momento há milhares de seres humanos com a porta do armário aberta e uma cara vazia pensando: o que eu vim pegar aqui? Ou mudas, paradas feito mulas no meio de uma frase e desistindo da palavra: daqui a pouco eu me lembro. Nesse momento há centenas de milhares de pessoas que acordarão no meio da noite. Não há idade para perder sono e palavras. É moda de época. Quando eu era jovem não acontecia. Vovó tinha uma memória de elefante e vovô, um sono de chumbo.&lt;br /&gt;Em que momento perdemos os sonhos e a memória? Resposta: Quando enfiamos um montão de porcarias na cabeça, pensamos em três ou quatro coisas ao mesmo tempo, temos medo do Jornal Nacional, mas assistimos mesmo que com isso esqueçamos tudo de bom que porventura tenho nos acontecido naquele dia, lemos e esquecemos más notícias em frações de minutos, devoramos calhamaços de inutilidades que se fragmentam em instantes, engolimos informações parecidíssimas de CPIs do Congresso misturando siglas e nomes de corruptos no liquidificador da lembrança. E ainda queremos dormir, sonhar e lembrar o nome do autor do livro A incrível e triste história de Cândida Erêndira e sua avó desalmada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;ROSAS, GRAMA, RIO, RISOS, RISCOS E ESPINHOS&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;Sonhava com isso: uma longa estrada de terra que eu não conhecesse, trilhando sem saber se acertara o caminho, e ao final a surpresa: uma cachoeira do tamanho de um prédio esvoaçando os nossos cabelos com seus pingos miudinhos. Em algum lugar há um deus que se encontra, feito de água, de pedra, de passarinhos. &lt;br /&gt;Fujo dos desconfortos, sei. Fujo do que era amor e foi morto, fujo dos sonhos que tinha contigo e que eram inacreditáveis como história inventada. Lá, onde os rios nos circundam, toco a desigualdade, misturo-me, ensino tabuada e aprendo a ganhar beijos. Lá, onde o rio corre dentro de casa e as rosas enriquecem as fachadas coloridas, não há grades cercando edifícios, nem câmeras de vídeo garantindo nossa segurança, há olhos curiosos que nos espiam pelas janelinhas que dão na calçada fina e flores multicores por todo o canto.&lt;br /&gt;Com que encanto as crianças se enfeitam para dançar no caminhão que se transformou em palco, onde o violeiro enche o arraial de melodia porque de qualquer lugar se ouve a cantoria e é sábado de aleluia, por isso estamos contentes. &lt;br /&gt;Na cidade grande agora chove e eu uso uma espécie de galocha caipira como um emblema. Não sei se chove lá, onde deixei um fusca balzaquiano e um jardim inteirinho repleto de mudas pequeninas garantindo que eu um dia também terei rosas, grama, rio, risos, riscos e espinhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;O PRIMEIRO DEFEITO A GENTE NUNCA ESQUECE&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;Ele deu defeito. Foi-se sem mexer em feriados.  As mulheres não conhecem os sentimentos do homem, mas o seu funcionamento. &lt;br /&gt;Tardiamente preparo um futuro que já chegou enquanto vivo acontecimentos episódicos. Os pés e os prós estão bem plantados no chão e eu tenho isso: casa, trabalho, fusca, filha.&lt;br /&gt;A Lapa fervilha. Mas eu não gosto de festa de rua. Viajo, numa aula, para a América pré-Colombiana e conheço a narigueira. Quando se interfere no imaginário de um grupo, ele se desestrutura e se torna subjugável. O Mercado superexpõe o artista e com isso a arte perde sua magia. Não penso em publicar livros como não pensava quando escrevia desde antes dos vinte anos. Outra coisa tem me aproximado de quando eu tinha tão pouca idade: uma desorientada saudade, sem alvo fixo. &lt;br /&gt;Os Astecas receberam os espanhóis como deuses. E foram dizimados por eles. Os Astecas conheciam o zero, o vazio e o nada. Eram guerreiros e não faziam alianças. Os Astecas ficaram horrorizados com Cristo na cruz, recusavam-se a rezar para um deus morto. Preferiram Nossa Senhora. Mais bem vestida, limpa, viva, calma, pele boa.&lt;br /&gt;Fui tupinambá e preciso ser entendida levando-se em conta este aspecto. Circular pelada pela mata como uma criança refrescando-se em cachoeiras, e possuindo um comprovado riso frouxo deixou em nosso povo marcas profundas, por muitas e muitas encarnações a fio. Conosco era assim: cada morto tinha direito a ser chorado histericamente durante algumas horas seguidas. Depois a vida continuava. Os prisioneiros de guerra eram tratados como membros da tribo até que engordavam, eram mortos e ritualisticamente comidos. Morria-se, desta forma, como um herói, jovem e exigindo vingança. Ou como um sábio, velho e dando conselhos. Nos novos tempos, a morte perdeu o estilo. Envelhecer não é de bom tom nas rodas que usam grife. Ora, com tanto recurso. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;QUEM NUNCA COMEU ESTRELAS NÃO SABE O GOSTO&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;O ser humano é basicamente um bicho que se acostuma. Quem nunca comeu estrelas não sabe o gosto. Assim, dessa maneira, o mundo vai diminuindo. Nunca sair do Brasil, dormir uma noite agarrado, soluçar num ombro amigo, olhar no olho, cobrir-se com lençol de seda, ser aplaudido de pé, passar um mês inteiro de sandália havaiana, nadar pelado, gastar muito dinheiro sem culpas, dormir sob um céu de estrelas, ser amado, aventurar-se. Tentei? Tentaste?&lt;br /&gt;Há pessoas que se acostumam a viver pequenino, a sonhar baixo, a receber beijos indiferentes, a ouvir frases de amor decoradas, a tirar férias para estudar, domingos para ver tevê, sentir medo e achar que é natural. Sofrer dores e não procurar remédios, ziguezaguear na rotina banal e não sentir tédio.&lt;br /&gt;Ora, é possível morrer e continuar transitando, respiração controlada, pressão estável, frases feitas boca afora. Morrer é perder desejos, sonhos, planos, irreverências. A tudo o ser humano pode adaptar-se. Esse é o verdadeiro defunto, o adaptado. &lt;br /&gt;O morto com atestado de óbito tem chances de baixar num terreiro, de alcançar a vida eterna, de renascer minhoca. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;LÁGRIMAS USADAS&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;Quase nunca dói mas quando dói dói demais. E vem pela via do sonho, me fisgar mais um pouco, aquela dor lá de longe que eu pensava em farelos no triturador automático de lembranças moídas, bicho este que se alimenta de memória viva, mas sobram nacos inteiros, de sofrimento tão velho que eu pensava enterrado. Nem o tempo, nem os últimos acontecimentos, nem o esquecimento, nem o instinto de proteger-me, evitaram que o trauma antiquário pulasse um salto em minha mente e me arrancasse lágrimas usadas, dormindo, tão grossas quanto antigamente.&lt;br /&gt;Você atravessou a minha vida e atravessado ficou impedindo que eu vivesse outras histórias. O tempo já nem passa, instalou-se. Se eu for pro inferno estarás lá fumando cachimbo. Se eu for pro céu terás asas. Desisti de livrar-me do que parecia um encosto. Domingo estava tão cansada que encontrar-te foi um bálsamo e todas as tuas perversões soaram inofensivas como criança brincando de médico debaixo da mesa escondido.&lt;br /&gt;Fora isso, tenho meu séquito, faço as minhas brincadeiras. Os anos passam e a gente vai voltando a ser menina inconsequente. Muitas perdas, poucos danos. E o que temos de ruim já nascemos com o defeito ou instalou-se muito cedo, nos primeiros traumas. Agora calma. Aos quinze e aos cinquenta não se tem muitos planos. Só queremos uma coisa, obsessivamente: abarcar o mundo inteiro. &lt;br /&gt;Cada história é única. Se o que vivi compõe o que sou, o que viverei pode me transformar, estamos combinados. Não fui mumificada, tenho certeza absoluta que estou viva, um súbito e longo e inesperado beijo encaixado vira o mundo dos sentidos de cabeça para baixo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;ÁFRICA GRÁVIDA, O PLANETA AZUL NÃO É REDONDO E TE IGNORA&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;Minha África de panos coloridos, onde a morte se instala e a mídia não fala, onde perco meu negro todo dia, em absurdas estradas que te levam e te trazem como um pensamento, dor, unguento, e a cobiça de todas as raças te abandonam à mingua fingindo placebos, e crianças que se perdem das mães como perdi a minha, e doenças que te matam para desocupar-te deixando simplesmente que morras jogando fingidos remédios despencados em tua cabeça, de aviões que despejam a culpa em pacotes de alimentos, a imprensa tirando retratos encomendados para os olhos cegos do mundo, que globalizado desmama teus filhos espalhados pelo planeta num silêncio estrondoso que ofusca mesmo os batuques mais alegres, esvaindo-se escarlate na beleza de teus ritos.&lt;br /&gt;Minha África suicida, barco à deriva cortado o cordão umbilical que ligava o navio ao bote, ninguém olha para trás, ninguém berra tua morte, nenhum século grita de dor enquanto planejam um continente desabitado em meio a partos de esquálidos bebês sem direito à vida, terra mãe querida, amordaçada num mar de dialetos, tua música não alcança a lógica dos mercados, teus rituais se infiltram recortados, sincréticos, adaptados, enquanto fingimos levar-te conosco, mas a verdade é que teus rebentos se arrebentam todos os dias em lenta agonia merecendo notas pequenas na imprensa, empresas de urubus voam nos teus céus vermelhos de sangue centenário. Escravizados foram meus irmãos de pele de chocolate, noite, mate, escuridão no corpo e no ignorado calvário, pátrias assassinas, óbitos sem atestados porque médico nenhum assina, negra, contaminada e menina, teu povo miscigenado pelo globo inteiro, tradição de cativeiro, assombrada, assombro de tribos que tu mesma exterminas, costumeira carnificina.&lt;br /&gt;Minha África cinematográfica, berço do homem, onde as ancas gingam, onde os ombros soltos dançam a sensualíssima dança dos deuses, das colheitas, das lutas, caças, dos banhos de rio, dos Orixás vaidosos, guerreiros, mãos espalmadas, pés livres de calçados, matreira, guerreira, pulsando ritmos de tambores, capoeira, uma nação inteira, tão repartida, pátria sofrida, de onde veio nossa comida, nossa tradição brasileira, ora, no carnaval ninguém dança o fado, herdamos a ligeireza de pés calejados, o molejo, não a saudade do Tejo, minha saudade chora quando escuto teus toques, porque te esquartejam enquanto sou partida, e o mar que me aparece em sonhos é sempre a água da despedida, dos quatro horizontes, a salgada água que separou inteira a nossa grande família.&lt;br /&gt;África ensolarada, que me faz duplamente órfã, mil vezes impotente, sonhando com um crepúsculo ardente, com um canto de cisne negro, como um doente que agoniza e ninguém se horroriza, porque somos todos uns desmamados, ignorantes e desabitados, vivendo à margem dos fatos, e já estamos meio mortos, quase enterrados.&lt;br /&gt;África grávida, o planeta azul não é redondo e te ignora. Tua prole desconhece a própria origem e à toa chora. Sente uma dor sem nome. Sente um amor sem nome. Pensa que vive e todo dia morre. Fisgadas no umbigo, e a sensação incurável de não-pertencimento. Como se fosse a vida sem nascimento. Perdemos a mágica. Morreremos todos engolindo sapos, como filhos ingratos.&lt;br /&gt;África de matricidas, de herdeiros aculturados, de riquezas ensolaradas, terras virgens, morte espalhada, lá, do outro lado do horizonte onde os gritos não alcançam, onde as notícias se escondem e os horrores secretos não são temas constantes porque o assunto da realidade pré-fabricada do jornalismo te exclui como uma chaga. &lt;br /&gt;Por isso choro, por isso nunca estou inteira, sinto-me repartida, nunca repatriada, estou sempre em falta, sempre em coma, sempre ouvindo batuques na Lapa e sentindo-me estrangeira, solitária. Lembranças em sonhos do tempo em que fui escrava, do tempo em que fui rainha. Com roupas coloridas e adereços danço e enfeito minha prole.  Há marcas no meu corpo e tons na minha pele. A água fria e límpida do mar que nos separa salga-me a ferida e aplaca a minha febre. &lt;br /&gt;África, sonho contigo como berço, como prole falsamente alourada, como criança secretamente adotada, como fruto e como filha, como lago e como ilha, como o todo de que um dia fui parte.&lt;br /&gt;&lt;b&gt;&lt;br /&gt;ACHO A TRISTEZA LINDA SÁBADO À NOITE, POSSO?&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;Quando escurece, é natural que as ferramentas de consertar o mundo e organizar amores transbordem cabeça afora porque se me derem uma ideia naufrago em desdobramentos e assusto. É natural que desligue o aparelho e não receba mensagens, que silencie o celular para que nenhum ruído me atrapalhe a solidão escolhida. Não fiquei no samba, não furei ondas, furei. Disfarcei e saí de fininho porque não deu o clique. Nada vibra, exceto o telefone que ignoro. A semana só não é monocórdia porque invento prazeres, aceito convites, confiro. E brinco de qualquer coisa porque a vida brinca comigo do mesmo jeito e passamos uma pela outra tão rápido que me perco nas agendas que anoto e não leio, nas fotos que tiro e não vejo, no encontro que marco e falto sem culpas. Meu coração é quem dita, quem premedita, quem me esconde recados. Segui-lo é seguir-me. Tudo que poderia ser trágico, patético, fica engraçado na vida e rio de mim como quem vai ao cinema só se for comédia.  É a despretensão da vida que chateia. Deixo a imaginação bem solta para que alce voo e me leve bem leve a caminho. Meu ninho é pequeno e nele me aconchego quando chego para jogar palavras e adoçar meu ânimo. Querem que eu esteja sempre alegrinha, mas dá licença? Posso chorar de noite, salpicar de sal o poema, amargar como água do mar, como lágrima? Acho a tristeza linda sábado à noite. Posso? &lt;br /&gt;Quem quiser dançar que dance. Daqui ouço música brega, escuto vozes bêbadas longínquas e nada há que me encante hoje, decidi-me pelo orgulho de ser diferente. Acho a natureza humana chata e de vez em quando preciso cortar com ela. Assim me fortaleço supondo-me diferente de toda essa gente que quando chove, diz: É o tempo... Gosto de conversas intrigantes e de pessoas complexas, confusas e engraçadas. A menina gorda que mora nas ruas não me pareceu infeliz e isso me encanta. Meu amigo lindo toca violão e me falou de cifras. A imprensa só noticia desfalques e elenca cifras. A mídia se aprimora em oferecer más notícias e ainda se gaba por ser transparente, eu não acredito, é mentira dela. É mentira que a realidade se resume a ladrões de merenda, arrastões na praia de ladrões sem peixe, futricas na câmara, assassinatos macabros, denúncias sem devolução de dinheiro, casamentos badalados de atrizes, festas de bicheiro, capítulos baratos de novela e outras asneiras. A beleza não sai no jornal de hoje em dia. É a porcaria travestida de informação o foco, faróis dos veículos. Pego meu carro preto e pego a estrada quando posso. Gosto de transportar-me. Por isso quando cruzo cidades eu me liberto. Os azedumes não me alcançam, perdem-se no espelho retrovisor. Só os anjos que pegam o sol das ruas conseguem voar na minha cabeça. Viu? Já nem estou mais amarga. A realidade é uma história inventada e vez por outra se transmuta. Adoro gente que viaja. E que dá gargalhadas jogando a cabeça pra trás. E que descobre coisas, ao passo que a massa amorfa pisa na beleza enquanto caminha apressada. A turba tem pressa. É afoita. Bom mesmo é navegar em ideias tolas, de noite, quando o mundo vira um sábado à noite afobado. Continuar irreverente. Ignorar essa gente que circula anos feito pêndulo, monocórdia. Quem quer marchar com a massa que marche. Eu me iludo satisfeita supondo que mudo o mundo transgredindo uma transgressão que ninguém nota. Mas isso também não me importa. Oscilo entre o tédio, o ódio às notícias fajutas, o orgulho besta de pensar-me ovelha desgarrada das ovelhas, iludida, pois se passei a semana almoçando de olho no relógio, que transgressora é essa, me diga! Tenho pensamentos rebeldes, esse é o meu mote. Quero reinventar a vida, os relacionamentos. E não ligo a mínima se você disser que o mundo novo só cabe no meu pensamento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;DESCULPE O EXCESSO DE SINCERIDADE&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;Você mandou um e-mail pra ela dizendo que sua chegada foi a coisa mais importante que aconteceu na tua vida. E que a segunda mais importante foi sua saída. Em mil novecentos e setenta e nove, é isso que torna a mensagem descabida. Minha amiga fez igualzinho a você. No meio da noite, mandou uma mensagem para um ex-namorado que não vê há quinze anos dizendo que ele foi a melhor trepada até agora. Ele bloqueou seu remetente.&lt;br /&gt;Arrependida, e senhora, deixou mensagem eletrônica cifrada pedindo desculpas. Ele está casado, calvo, com três filhos, gordo, morando na Bahia, recuperando-se de um câncer e do uso abusivo de drogas.&lt;br /&gt;Vai ver nem se lembra mais que um dia trepou tanto. Vai ver ficou com medo que quisesse relembrar loucuras afogadas na turva memória. É preciso controlar o excesso de espontaneidade. Traz mal-entendidos, quebra encantos. Pessoas gostam de amenidades.&lt;br /&gt;Vamos tentar nos ver, sim, embora não sejamos encontros marcados. Às vezes a gente se esbarra e nunca estamos iguais.  Nos conhecemos num festival de teatro em Recife. Você era ator, eu escrevia poemas escondido e nem tinha vinte anos. Nos reencontramos quando você formou-se em Psicologia e atendia num consultório. Eu era atriz de uma peça em cartaz. Anos depois você estava executivo e eu professora de tecelagem manual. Fomos jantar. Você pagou a conta e usava terno bem passado. &lt;br /&gt;No ônibus, você vestia bermudas de tarde num dia de semana. Ensinava italiano. Eu era uma espécie de guia turístico e tinha bolsa no mestrado. Depois na Cobal. Eu estava fazendo faculdade de Psicologia e você era monge no Instituto da Verdade Universal. No próximo encontro você era cantor num musical. Eu tinha virado funcionária pública para sempre. Agora você é compositor e eu sou fotógrafa. E continuamos amigos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O filme Doces Bárbaros me trouxe muitas saudades. Das transgressões sadias de antigamente. Do cabelão da Gal que eu também tinha e dos mil colares. Da esperança que o mundo acalentava apesar de todos os infortúnios que a raça humana produz para si mesma. O mundo era jovem, era isso. Hoje a Aldeia Global é uma velha idosa que não amadurece. Não aprendemos nada que verdadeiramente importe, foi isso. A globalização, os celulares, a interdição do cigarro, a eterna juventude das cirurgias plásticas, os avanços da medicina, as academias de musculação proliferadas, as novas e moderníssimas formas de guerra, o inchaço das cidades, os mitos pré-fabricados são o ganho oco de uma espécie que hoje acha que ser moderno é fazer muitas coisas ao mesmo tempo e cada vez mais rápido. &lt;br /&gt;De nada valem a avalanche de e-mails sem conteúdo e o turbilhão de notícias chapadas, se o rosto do mundo é amargo como um telejornal-colagem. Nenhuma informação seria desperdício se o bem-estar dos seres humanos fosse uma meta e não um privilégio. &lt;br /&gt;Transgrediria, se não vivêssemos um avacalhado vale-tudo. Se a rebeldia não fosse produto. Não são os vinte anos que eu tinha o alvo do meu ilegível lamento. É a inutilidade dos grandes gestos e a invisibilidade da decência o que me angustia. Ninguém noticia, ninguém mostra a cara daqueles que não se corrompem e que permanecem num solitário anonimato. O que interessa aos meios de comunicação é o que apodrece. Os grandes gênios são contratados e domesticados, comestíveis e datados. A essência se perde entre máscaras e palavras adequadas ao bom senso, que, aliás, detesto. &lt;br /&gt;O medo tomou conta dos aparvalhados. A aventura é vendida em pacotes pagos com prestações mínimas a perder de vista. É claro que o Banco sempre vence emprestando sanguessugas. &lt;br /&gt;A única garantia é morrer um dia. Mas os tolos teimam em viver a vida como se ela fosse uma carta promissória. A culpa persegue os fracos, os mortos-vivos, clones dos cloninhos. A possibilidade de ser diferente assusta os medíocres. Homens grisalhos usam bonés terríveis, bermudas americanóides e meias soquete enquanto as mulheres disfarçam a agonia dentro das burcas do pretinho básico. Nem flor no cabelo pode mais.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vivo em paz, como se não houvesse amanhã. É marca da minha geração. Não o medo da morte e outros entraves, como hoje sucede, mas uma certeza de que se a vida está agora aqui um dia inevitável não estará mais. Vivo em paz em parte porque nunca fui de fazer planos. As certezas me salvaram, os planos me fizeram e a vida foi, como numa novela redundante, transcorrendo. Paguei o preço de viver à deriva, em cash. &lt;br /&gt;&lt;b&gt;&lt;br /&gt;TESÃO SEM BÚSSOLA&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;Vida diária, chateações brincam de roda: bateria do carro arriada, vazamento nos banheiros. Se pudesse ainda, teria mais filhos, faria mais planos. Penso que é terça e é quarta e quase perco a aula. Confesso que nasci sem bússola e passo direto. Erro o caminho e me desoriento. Preciso de um Norte, de um coração forte, um espírito lúdico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meu coração é meu guia. Como tua cicerone, eu atuaria. “Nesse universo tão misterioso e assustador”, você disse. Nesse escuro eu não me perco. Mergulho em imagens e poesias sem medo. Não sei onde vou. Ou sei e é segredo. Sei que a vida é etérea, o tempo é o rápido do cabelo curto. Um dia de barba feita. Uma bolha de riso. Um curta, um voo, um show. Se houvesse mais tempo. Mas você é comprometido e eu sou aérea.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E a vida segue assim: empurrando-nos delicadamente, tão delicadamente que pensamos ter domínio sobre nossos trajetos. &lt;br /&gt;Não temos. Eles se fazem sozinhos. Somos prisioneiros de nossas limitações. Privados de escolha. Levo na lembrança o que cabe na mala boa, o que é leve, o que foi bom momento. Deleto na fogueira todo desgosto, deleto mensagens sem ler, bloqueio um remetente sem me envolver. Levo afetos, nenhum desafeto, algumas indiferenças. Esta é apenas mais uma bifurcação do ardiloso labirinto que é a vida humana. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora há uma casa que me espera com rede na varanda, jardim e mar pertinho. Lá sou outra, livre. Índia, criança, Eva. Lá não envelheço. A semana vai ser cheia. Mandei embora a velha amargura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;FARINHA DE SONHOS&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;Caminhos se estreitam. Os poemas ficam mais jovens que eu. Morro, e os versos sobrevivem nos sebos, nos blogs, nos sites, nos sítios. Conto que sofro, e que é por uma razão microscópica: o mundo não foi feito para seres humanos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;NAMORARIA? CHORAVA?&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;Com o vácuo, não brinco. O fogo é fátuo, é fato, não corro, corro perigo, brinco de esconde-esconde. Ah, você é muito difícil. Ninguém disca, ninguém tecla, releio mensagens de um mês atrás feito cartas marcadas de baralho velhas, alguém pode sair machucado? Há perigo? É um jogo? Em sensações me afogo, que sufoco, a realidade fora de foco, o coração assustadíssimo não se intimidaria. Há riscos? Arrisco? Ainda arrisco? Namoraria? Chorava? Ou levaria tudo na flauta, inclusive o internauta?&lt;br /&gt;&lt;b&gt;&lt;br /&gt;PERSIGO OS DESEJOS, EVITANDO-OS&lt;br /&gt;&lt;/b&gt;Me avisaram, sim: que a fantasia desqualifica a vida. Por isso eu te queria imperfeito, porque às vezes amei de um sentimento próprio, outras tive que inventá-lo, pertenço a mim, persigo os desejos, evitando-os.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5263131920585591179-3295595578305621525?l=finitacomoflores.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://finitacomoflores.blogspot.com/feeds/3295595578305621525/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5263131920585591179&amp;postID=3295595578305621525' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5263131920585591179/posts/default/3295595578305621525'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5263131920585591179/posts/default/3295595578305621525'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://finitacomoflores.blogspot.com/2010/07/vida-sera-curta-de-qualquer-maneira.html' title='A vida será curta de qualquer maneira'/><author><name>GH</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07665796476132680903</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='21' src='http://4.bp.blogspot.com/_124d0SzjgBw/TIVCzH1MR9I/AAAAAAAAK2U/CWALNRvLIMs/S220/GH.Alhambra.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5263131920585591179.post-3316427568560111644</id><published>2010-07-18T20:04:00.000-07:00</published><updated>2010-09-05T18:12:02.468-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Geribá'/><title type='text'>Geribá</title><content type='html'>GERIBÁ&lt;br /&gt;Voltei para a minha terra. Vim com poucos pertences, a invisível bagagem. Criei um filho enquanto estive fora, voltei e não reencontrei todos os amigos. Voltei sem pai nem mãe, plantei os pés no chão durante a ausência necessária.  A vida anda em círculos. Terei que deixar para trás tudo que não voa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O pescador chama-se Heráclito. Sabe que ganhou o nome de um filósofo que dizia que o mar nunca é igual. Heráclito me convenceu, depois de longa insistência, a remar até a boia amarela e lá esperar a tartaruga surgir. Remar, remei. Esperar, não esperei. Dei meia volta e remando voltei. Sou uma mulher vivida, já vi tanta coisa, inclusive tartaruga, nadando e tudo. Já tomei até sopa dela, antes da natureza perigar. Heráclito quer me falar das mágicas da água de lá. Mas lá sou antiga como a tartaruga, sobrevivente, espécie quase extinta. Preciso ser preservada, agora você me entende? Não posso cair de amores e me desmantelar. Sou testemunha viva, ocular. Acreditei no amor livre, na casa de campo, nos meus livros, meus filhos, meus filmes, meus vícios e nada mais. Amor e paz. Tenho tatuagem no braço, vontade de amar, sou reincidente. Ainda hoje me emociono com estrela cadente, sol vermelho, fruta no pé. E não vou me modificar. Quem não arriscou, que arriscasse. Quem não idealizou, que o fizesse. Sonho e lembrança é tudo a mesma coisa. Não é tarde se as tartarugas estão voltando. Ainda posso esperar.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;DOU VALOR AO MEU TRAVESSEIRO PORQUE NÃO SOU CEGA&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;Feliz agora sou. Férias da vida. E depois voltar à rotina básica que me espera. Gosto. Porque antes não me esperavam e não havia férias. Há oito anos ganhei terra firme, um milagre quarentão tipo brinde. Nunca me digam: a gente não dá valor. Eu dou valor ao meu travesseiro porque não sou cega e acabei de ver dezenas de pessoas dormindo embaixo da marquise na avenida Presidente Vargas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;CONFESSO QUE NÃO VI&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;Sete malas de dinheiro, dólares na cueca, grampos, olho roxo, tudo dinheiro que sai do nosso bolso sem a gente ver. Nos impostos embutidos, nos descontos de salário, na CPMF safada. Sete malas de dinheiro, dólares na cueca são a viagem que não fizemos, o curso que interrompemos, o doente que morreu na fila, o projeto que morreu na praia, a loja que fechou, a bolsa de estudos que não saiu, o bebê que morreu, o celular que sumiu, o dente que falta na boca, o espaço que falta na casa, o doce que falta na geladeira e os filhos que não pude ter.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;HÁ HORAS QUE SOBRAM NUM DIA QUE JÁ TERMINOU&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;Ah, que às vezes eu queria ser como vovó e ir logo envelhecendo. Cabelos azuis, salto alto, bandolim, vovó Adila envelheceu assim. Eu não. Acordo e levanto peso. Ando a pé e murcho a barriga. Como menos do que gostaria. Faço sacrifícios porque não podemos parar hoje em dia, temos que ser eternamente jovens em plena euforia.&lt;br /&gt;Não tenho mais insônias porque agora durmo tarde. O resultado são horas sobrando na escuridão de um dia que já terminou. E vejo tevê, mau sinal. Desligo e escrevo. Sem reler. O dia morreu. Trata-se de um velório. Logo enterro na memória, e já amanhece outro. Ficarão lembranças salpicadas, recortes aleatórios. Somos mistura de sonhos sonhados com tudo que não fizemos, na argamassa da vida. As recordações me assaltam, os desencontros, os arrependimentos. Saudades do que não foi possível, do que não estava ao meu alcance, do que não me deu chance, do que não mereci, do que não batalhei bastante, do que me escapou entre os dedos, do que tive medo, daquele futuro que eu jurava que era meu, pois se esteve bem na minha frente e eu perdi de vista, futuros fugiram sem deixar pistas. As saudades me assaltam, de quem foi embora porque morreu, de quem larguei porque doeu, de quem quis tudo, menos eu. Dos livros que não publiquei, do romance que não batalhei, da criança que cresceu, de quem me quis mas não deu. Dos planos que não deram certo, do que não veio e passou perto, raspando, quase acerto. A vida passou e eu não vi. Continua passando e eu não morri. Vida, quero te ver. Olha eu aqui.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;ZÁS, O TEMPO ME ATROPELA&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;Vapt vupt passou um ano. Zás o tempo me atropela. &lt;br /&gt;Vivemos no mundo travado dos congelamentos, das filas, dos engarrafamentos, do telemarketing, das secretárias eletrônicas repetitivas e monocórdias, feito disco arranhado. A velocidade moderna é uma lesma a bordo de um avião supersônico e falho. Tudo demora, só o tempo corre. Falamos com máquinas, moramos entre grades, somos espiados por câmeras. Se for amor, disque dois. Digitalizamo-nos. Quero um toque.&lt;br /&gt;&lt;b&gt;&lt;br /&gt;SILÊNCIOS DE DOMINGO&lt;br /&gt;&lt;/b&gt;A televisão, muito perto da cama, sem volume, funciona como uma grande luminária caleidoscópica na escuridão do quarto. Outro dia, acompanhar uma conversa de bar não conseguia, fiquei com os ouvidos simpáticos. Há muito mais gente querendo falar do que ouvir. Calada, os amigos se abriram, sem as minhas impetuosas interferências. Faça-me o favor, a vida não é séria, é mínima. Não custa nada ficar calada. É só por uma noite. Falo muito para espantar o tédio, falo muito porque assim me divirto e evito diálogos sem sentido. Falo como se escrevesse. E hoje não escuto tiros, nem o forró com microfone na rua da Lapa, nem a briga do vizinho, nem os pássaros, nem a cachoeira, tampouco o start da geladeira. É um silêncio de domingo no bairro boêmio. E por ele chegam as ausências todas, confinadas num baldinho. Nem ligo o som, nem ligo. Repito que está silêncio porque estou sozinha, é isso. Não há como evitar essa dor, é impossível. Nem cantando os males espanto. Quero janelas e boca fechadas. É um perigo essa mistura de solidão e silêncio juntos e eu gosto de aventuras dramáticas. Na escuridão da noite iluminada por uma televisão amordaçada, a esquerda carrega malas de dinheiro então pra mim será sempre tarde demais, um mundo melhor não será mais possível, não sou mais oposição, nem rebelde, nem revolucionariamente escapista, nesta encadernação tornei-me urbanóide igual, hippie é neo-rural, sexo só com camisinha e afeto. Sambo às quintas, estudo à noite, espero os netos. Não sofro à toa. Faço questão de ficar muito amargurada. Mais que mar, mais que sal, mais que lágrima. Quero a amargura pura. Com poucas rimas. Quero que doa.&lt;br /&gt;&lt;b&gt;&lt;br /&gt;SOU UMA MÃE CORUJA DE EGO INFLADO&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;A vida não me daria saúde perfeita, emprego estável, filha maravilhosa, doce companheiro, casa confortabilíssima,  conta bancária farta, amigos divertidos, viagens pra longe, carro possante, humor refinado, coragem. Porque não é do seu feitio dar esse mole para as pessoas. São raros os eleitos que possuem qualquer dessas sortes. Sou uma mãe coruja de ego inflado. Aceito as lacunas, as saudades sem remédio, as dores para as quais desconheço analgésicos de efeito duradouro. Aceito sua ausência nesse pacote de renúncias. A vida é parcimoniosa quando se trata de conceder milagres. Como queiras, caríssimo coração, que cales, caminharei quieta quase cósmica na língua do quê? Viu? Palavras servem também para jogos, para passar o tempo a ferro, não pedi-las mais a você. Guarde-as num cofre secreto. Vamos temer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gaivotas são urubus brancos, como garças, patos elegantes, mergulhadoras, acrobatas, atobás.&lt;br /&gt;Hoje aproveito este interregno de borboleta e voo movimentos aflitos de beija-flor. Olha que os beija-flores não dão rasantes, não plainam, as gaivotas mergulham, cada um do seu jeito, credo, até as baratas voam, que coisa mais chata. Voar deveria ser glamour, mon amour, um explícito privilégio dos pássaros elegantes, dos carros possantes, dos homens, belos amantes, e das pessoas livres como eu e você.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;TRILHA E SECRETA&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;No meu esconderijo tem uma trilha quase secreta que desemboca na beira de um riacho raso e frio com uma branca queda dágua e muita sombra. O sol vai lá, mas tem que ser cedinho. Colibris, jacus, esquilos, montanhas de pedras redondas onde o sol se demora na careca. Árvores nascem sobre pedras e se enfiam no caule das outras quando há buracos, feito cópulas, porque a vida quer continuar e nos usa, mero instrumento, queimando carnes na fogueira do desejo, mesmo quando já não podemos mais ter filhos, insensata.&lt;br /&gt;No meu esconderijo é silêncio, o barulho é da água e de pássaros estranhos. Lá, não uso sapatos. Lá, não olho espelhos. Na porta da casa tem uma árvore de flor tão vermelha que o mundo não parece hostil e a natureza nos abençoa. Preciso do combustível desse doce e voluntário isolamento. Preciso ir viva ao paraíso nos fins de semana. A rotina me esmaga como uma sola de sapato pisa na formiga. Mas eu conheço um caminho de pedras que metamorfoseia. Hiberno e volto, disfarçada como se fosse a mesma, sem ser.&lt;br /&gt;&lt;b&gt;&lt;br /&gt;VELA, FILTRO, CORREIA E CEBOLÃO&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;Quatro visitas do mecânico, o carro pára na rua pela quinta vez, choro. Junta gente em volta e eu pago o mico, previsto no orçamento. Palavras novas em folha entram no meu vocabulário: rotor, aerofólio, variador de avanço. Outras mudam completamente de sentido: vela, filtro, correia, ventuinha, cebolão. Meu amigo chega de camisa azul turquesa, e atravessa a pista quase voando, encontra logo um fio solto, prende e o carro ronca, sai correndo feliz como um seminovo, meu negão cadete adolescente que eu boto o maior gás e ele sempre morre comigo. Rimos. Acho poesia num enguiço. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;QUANDO CRESCER QUERO SER METÁFORA&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;Há cubículos na Penitenciária Lemos de Brito que são verdadeiros brincos. Tudo tem grade: a escola, a igreja, as oficinas e até a janela do quarto de Jesus num quadro pintado a mão por um preso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Girassóis, estrelas do mar, afogo-me num amar de risos porque a metáfora é tão boa e a poesia voltou pra mim como um amante arrependido. Encheu meu coração de rimas e de ritmos que não comando. Às vezes penso que ela foi embora, que fiquei velha, que fiquei triste para sempre, que caí na mediocridade de ver novelas, juntar dinheiro e sentir dores, medo e ciúmes como todo o mundo, que minha dor só vai me fazer chorar e chorar e é quase à toa, olhos marejados, rio de lágrimas, disfarçadas feito pecado, é proibido ser triste, é feio chorar escondido, e se alguém me pega? Entrego-me à avalanche das palavras e nem me ligo nos significados, que desculpem e descubram os leitores, quando eu própria tiver me transformado numa metáfora, numa onomatopeia, numa metonímia. &lt;br /&gt;Quando crescer, quero ser metáfora. E morar na poesia, na tua, que quero uma por dia, te espremendo assim com toda a força o coração, o peito, o choro, o desejo, o medo, a alegria exagerada que nos envergonha porque o mundo é triste pra caramba, cheio de gente com fome e ladrões de merenda, e ainda assim quero teus versos diários, vindos pela estratosfera via satélite num rabo de foguete, quente como fomos, como poderíamos ser de novo se habitássemos o mesmo planeta, se nos encontrássemos por acaso numa revelação bem na esquina, se clicássemos com a retina e pudéssemos saber da cara um do outro sem o recurso de olhar fotografia, porque já pintei o cabelo e você nem fez a barba, talvez hoje eu seja loura, eu seja outra, ou louca, como saberias? A rotina nos massacraria, a culpa, nossas diferenças. Guardo teu olho de rasgar meu corpo numa lembrança bem curta, foi um flagrante, um olhar quase um delito, tu não me olhavas, me espiavas, sei do desejo e da desconfiança. Nunca me encontrarás fora das letras, fiquei na margem do rio, numa tenda onde nos abraçamos como dois estranhos, suados e aflitos, quase arrependidos. O telefone da loura ficou escrito no programa. O mundo está cheio delas, nelas tropeças, contas, casas, nunca tendas, nelas filhos. &lt;br /&gt;Eu fiquei com o coração aos pulos olhando o sol se pôr na beira do rio, com todos os ciúmes que senti na vida, amalgamados na violência daquela cena. Nunca me encontrarás porque eu não estou no Rio, estou no epicentro de um mundo melhor que desmontaram depois do evento, vento. Invento combinações de palavras malucas e fico aliviada e satisfeita, como se por algumas horas eu habitasse outro universo, o nosso, de verso. Tu sabes quanto tempo leva uma poesia, quanta alegria, quanto transbordamento. Semana passada eu não conseguia escrever uma linha de poema. Cheguei no trabalho como quem chega no inferno alegre porque existe vida depois da morte, e abraça o capeta. Mas temos sorte, a poesia me possuiu de novo como um macho de personalidade forte. Fecho os olhos e teclo, teclo, teclo, sem olhar, como se pianista fosse e ouvisse música. Como se psicografasse. Como se um girassol se curvasse, como se uma estrela cadente nos acertasse. Nunca seremos consumistas. Nunca meras conquistas. Temos poemas nascendo de dentro da cabeça e isso é milagre. Somos fábrica de enrolar palavras, com elas desmanchamos o mundo da cobiça. Quem tem metáforas guardadas dentro do corpo não compra celular último tipo. Tem preguiça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esperávamos pela mágica do amor, ela passou batida. Meu grande amor já tinha tomado outro rumo no vagão da frente. Foi-se. Levou-me no bolso como um souvenir de viagem. Guarda-me assim, como um retrato, enquanto a lua mingua, o sol se põe de lado, e nuvens carregadas de lembranças tão tolas quanto as nossas atravessam os cantos do céu criminosas. Ora, flores morrem todos os dias.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5263131920585591179-3316427568560111644?l=finitacomoflores.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://finitacomoflores.blogspot.com/feeds/3316427568560111644/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5263131920585591179&amp;postID=3316427568560111644' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5263131920585591179/posts/default/3316427568560111644'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5263131920585591179/posts/default/3316427568560111644'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://finitacomoflores.blogspot.com/2010/07/geriba.html' title='Geribá'/><author><name>GH</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07665796476132680903</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='21' src='http://4.bp.blogspot.com/_124d0SzjgBw/TIVCzH1MR9I/AAAAAAAAK2U/CWALNRvLIMs/S220/GH.Alhambra.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5263131920585591179.post-8169729833462708723</id><published>2010-07-18T20:02:00.001-07:00</published><updated>2010-09-05T18:13:58.815-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Nem a pétala morta dentro do livro é cafona'/><title type='text'>Nem a pétala morta dentro do livro é cafona</title><content type='html'>Os que morreram continuam a fazê-lo todos os dias. Mamãe, quero telefonar-te, só isso. Aceito tua morte mas me recuso a nunca mais ouvir tua voz na linha, preciso te contar detalhes do que se passou comigo nos últimos nove anos, mas eu não tinha ideia de quanto tempo teria que viver sem você do outro lado. Não tem mais endereço, nem número. Falo sozinha e pego o gancho feito maluca, questão de segundos. Depois escondo o pensamento e digo que a mãe sou eu, que agora a mãe sou eu e fico te imitando. &lt;br /&gt;Seu namorado morreu, fiquei sabendo ontem. Nem dei adeus, nem fiz visita, estava ocupada recortando classificados, conferindo extratos, refazendo contas, tonta, dei uma choradinha depois voltei pro carrossel da vida. Mães morrem e amores mágicos passam batidos enquanto estamos distraídos. Isso é eterno, imprescritível, definitivo. Por isso não carrego fardos. Reinvento todo dia a nossa história. Nunca é a mesma, eu sou criativa. Na real, ninguém ressuscita, ninguém grita, ninguém agarra a magia porque ela é matéria feita de vento. Estou viva e é uma questão de tempo. Eu, você, nossos amigos e a torcida do Flamengo. Você, me leva no bolso como um souvenir porque eu sempre trago lembranças, eu poderia ter sido e não fui, esta é a razão de estar leve como uma folha de papel em branco onde o meu mágico amor, aquele que passou batido, pode escrever ideogramas, desenhar palavras em letra de forma porque nada entre nós é proibido, nem a pétala morta dentro do livro é cafona. O tempo é sempre curto, que ninguém se iluda. A elasticidade dos sentimentos relâmpagos é o que assusta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;O MUNDO ESTÁ FICANDO DOIDO&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;Sem querer sou ríspida com minha amiga porque um homem cheirando cola para na frente do carro onde estamos as duas sozinhas de noite e diz coisas pedindo dinheiro e levanta a camisa e mostra uma ferida de faca com sangue na barriga e minha amiga vira o rosto com um grito e cobre o rosto com as mãos e eu brigo com ela porque queria que ela fingisse que estava tudo normal, ora, não devemos demonstrar medo, pode ser um assaltante, vai crescer pra cima de nós, fique impassível, brigo, disfarça, ora, como se nada estivesse acontecendo. Que amiga descontrolada! Depois me arrependo e peço desculpas a ela. O mundo está ficando doido e quer nos levar com ele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;UMA VIDA SEM CACHOEIRAS&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;Visito uma cidade tão pequena que tem o mesmo número de habitantes do meu prédio. Aos poucos as crianças e até os cães me reconhecem. Nem celular pega em volta dessa praça onde a comunidade constrói com as próprias mãos casas para os desabrigados.&lt;br /&gt;Quando volto de lá, depois de tirar meu violão do sótão imaginário e aprender músicas de luar do sertão e de serestas com acordeon e fogueira, sou mais frágil.&lt;br /&gt;Em vez de retornar energizada para o enfrentamento da cidade maravilhosa, volto mais sensível às cenas de rua, mais deslocada, e procuro em vão um sentido para o meu dia-a-dia. Um sentido para uma vida sem cachoeiras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O mundo vem de aeroporto, vem de metrô, e transborda o Rio de Janeiro para ver os Rolling Stones cantarem na praia de Copacabana. Passo a chave na porta e giro três vezes, troco as cordas do meu violão balzaquiano e juro que dessa vez aprendo. Fecho bem as janelas, ligo o ar e me escondo. Tenho medo do Mick Jagger. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Queria acordar amanhã com barulho de vaca e bezerro, de galo e pássaros, e rever as oito estrelas cadentes que me emocionaram deitada sozinha na grama úmida, vendo um céu tão cheio de estrelas e centenas de vaga-lumes que lá estão todas as noites enquanto eu me pergunto o que é uma vida sem vaga-lumes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;AS IRREGULARES TAMBÉM SÃO FILHAS DE DEUS&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;Rita Abreu escreveu: “Bem, hoje descobri que ter carro e como ter um tamagoshi: tem que dar de beber, banhar, cuidar, e pagar impostos e fazer vistorias. Escaparam-me esses últimos detalhes. Portanto, estou com a documentação do carro irregular desde o ano passado e nem desconfiava de nada. Agora que descobri, estou  receosa de viajar com ele. Mas, se for necessário, encaro numa boa. De qualquer forma, quem está indo com você? O negão está em forma, né? (E nos deixando em forma na sauninha motorizada). &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Respondo:&lt;br /&gt;Oi, amiga irregular. &lt;br /&gt;O meu negão está semi-irregular pois perdi os documentos em Búzios, lembra? Tentava achar minha câmera na bolsa que continha até primeiros socorros, para fotografar um quiosque em chamas, quando uma onda quase me derrubou, o celular tocou e meu sobrinho pequeno começou a chorar porque queria sorvete. Foi a última vez que vi a bolsinha cor de abóbora onde guardava guardadinho meus documentos, todos em dia. É a vida. Seguimos regularmente, bate uma onda, dá um vento, e irregulamos. Mesmo desregulada, tenho os documentos do antigo proprietário, além de notas fiscais de compra de pneus, bateria, rádio, CD player, compressor, caixa de marcha, limpador de pára-brisa, filtro, correia... enfim... o carro pode ser roubado mas os acessórios TODOS são meus! &lt;br /&gt;Rita, acho melhor você ir com seu carro, mesmo irregular. Pode deixar que eu faço a escolta. Leve seu tênis pra gente fazer um campeonato de vôlei. Quem pegar mais bolas no riacho ganha.&lt;br /&gt;O guarda não vai nos prender: cinco senhoras de respeito com amnésia pré-menopausa, meio desreguladas. Rita, toma gingobiloba, ou gingobiroba, ou ginga-bi-loba, ou será Bingo de Loba? Esqueci. É um remédio ótimo. Melhor que loucadil. Eu tomo e veja como estou lembrada. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;PERDIDOS ROTEIROS&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;Eles tomaram vinho branco, conversaram e namoraram muito, estavam alegres. Ele disse: Eu vou embora. E levantou-se. Ela o imitou e disse: Tá. Eles se abraçaram e ele repetiu, mais sério: Eu vou embora. Ela ficou em silêncio porque havia perdido, ao longo dos anos, o roteiro das falas. Mostrou pra ele seu rosto desconsolado. Ele puxou-a suavemente pela mão, sentaram-se na cama arrumada. Ele perguntou: E amanhã? Amanhã de manhã você acorda e vai embora, ela respondeu. E depois? Ele perguntou. Você liga quando quiser, ela respondeu. Ele a abraçou com força e sorriu, autorizado. Ela também sorriu. Era a terceira vez que se encontravam e a primeira que ela acertava as falas. Então eles fizeram amor. Foi isso que sucedeu. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;GRÃOS DE VIÇO&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;Ela vai levar de mim, diariamente, um pouco de alguma coisa: grãos de viço, farelos de esperança, cartas da manga, coringas, bilhetes premiados, estofos, enchimentos, gotas de memória. A chegada dos cinquenta anos vai me equipar de uma profunda sabedoria, mas tão tardia que terá apenas uma serventia: aceitar o cinquentenário irreversível como se aceita uma doença incurável.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;NÃO QUERIA QUE OS CINQUENTA ANOS ME ENCONTRASSEM ASSIM&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;Não queria que os cinquenta anos me encontrassem assim: estou mal vestida, cheia de tinta na cabeça, veja, como posso abrir a porta? Não me preparei, não fiz economia e nem as unhas. Pensava que estavam a caminho, a pé, aproximando-se com serenidade. Nunca poderia imaginar que pegariam uma ponte aérea. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;O CINQUENTENÁRIO DAS MARGARIDAS&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;Os velhos se esquecem. Leia mais e use metodicamente a agenda diária. Os velhos ficam sérios. Ria, ria mesmo sem um motivo aparente. Os velhos caem. Fortaleça seus músculos numa academia sem música. Os velhos falam sozinhos. Os velhos ficam sós. Cultive os bons amigos como se fossem flores delicadas. &lt;br /&gt;Continuar jovem “por dentro” é uma faca de dois gumes. Sentir atração por jovens de verdade, impulsos de mudar de profissão, vontade de aprender balé clássico, mudar móveis de lugar sem pedir ajuda, encher a cara e trabalhar no dia seguinte são, entre muitos outros, desejos que tendem a frustrar-nos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E quando minha amiga disse para seu psicanalista que morria de medo de ficar velhinha e ninguém mais querer trepar com ela, ele respondeu sereno com sua voz de psicanalista:&lt;br /&gt;- Pode ficar tranquila que a perversão sempre vai existir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;QUANDO FIQUEI NOVA DE NOVO&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;Recentemente, quando fiquei nova de novo, examinei a bagagem. Separar o que vale guardar do que devo reaprender. Sabendo que nunca saberei quantas vezes errei ao selecionar: largando o que deveria agarrar, levando o que já se estragara. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;UMA ROTINA QUE NÃO DEIXA RASTROS&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;Acordo mansamente para uma rotina que não deixa rastros. O coração sossegado, a semana recomeça ritualisticamente. Os sobressaltos ficaram para trás, e com ele os fantasmas, sem nenhuma agonia, levanto da cama funcionária, farei contas em dinheiro e anotarei meus gastos, coração vazio como um copo de cabeça para baixo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5263131920585591179-8169729833462708723?l=finitacomoflores.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://finitacomoflores.blogspot.com/feeds/8169729833462708723/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5263131920585591179&amp;postID=8169729833462708723' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5263131920585591179/posts/default/8169729833462708723'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5263131920585591179/posts/default/8169729833462708723'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://finitacomoflores.blogspot.com/2010/07/nem-petala-morta-dentro-do-livro-e.html' title='Nem a pétala morta dentro do livro é cafona'/><author><name>GH</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07665796476132680903</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='21' src='http://4.bp.blogspot.com/_124d0SzjgBw/TIVCzH1MR9I/AAAAAAAAK2U/CWALNRvLIMs/S220/GH.Alhambra.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5263131920585591179.post-2204872493812070872</id><published>2010-07-18T20:00:00.003-07:00</published><updated>2010-09-05T18:21:34.000-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Baldes de esquecimento'/><title type='text'>Baldes de esquecimento</title><content type='html'>&lt;b&gt;BALDES DE ESQUECIMENTO&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;A memória é uma película de cinema que o esquecimento faz questão de picotar enquanto o tempo esmaece, sobrepõe, perde as imagens nunca aleatoriamente mas por razões que a gente mesma desconhece. Fico com pequenas tiras e quando as localizo, identifico, reconstruo e conservo, são pérolas do colar da vida, riqueza que segue comigo montando o mosaico de que sou feita.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;MANUAL DO BEM-ESTAR&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;É fácil ser feliz: pague suas contas em dia, não discuta, não perca a cabeça, durma e alimente-se bem, evite ficar preso em engarrafamentos, afaste-se de gente que te leva ao desespero, caminhe uma hora por dia, não fume, exercite corpo e mente, beba muita água, faça sexo regularmente e seja uma pessoa magra. &lt;br /&gt;Se o salário acabar antes do mês, não perca a cabeça, emagreça, jejue. &lt;br /&gt;Se o trânsito parar, não pare, aproveite para dar uma caminhada. &lt;br /&gt;Se não consegue uma boa cama, contente-se em caminhar uma hora por dia, e seja uma pessoa mal comida e magra.&lt;br /&gt;Se você é uma pessoa magra, dorme e alimenta-se bem, caminha uma hora por dia, trabalha em casa, bebe muita água, controla os gastos, não fuma, não bebe e faz sexo seguro com disciplinada regularidade, fuja, sua vida deve ser muito chata. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;ANTES QUE OS PRAZERES SEJAM PÃES DE ONTEM&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;Porque tem vinte e um anos, ela quer agarrar a vida imediatamente, abocanhar o futuro como uma fruta madura, devorar o hoje como uma hóstia purificadora, e cometer todos os pecados depressa, pela experiência de saboreá-los, antes que seja tarde, antes que todos os prazeres sejam pães de ontem, antes que o passado engula este instante como fará com todos os outros E eu, porque tenho quarenta e nove, também quero.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;PAIXÃO VIRTUAL&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;Última moda: paixão virtual. Sem temperaturas, calores, odores, tatos, olhos, olhares, gestos, toques. O outro inventado. Há casos. Eu, que sou do tempo da calça frouxa, tento adaptar-me.&lt;br /&gt;Eu, que aprecio muitíssimo o realismo fantástico, tento conformar-me.&lt;br /&gt;Hoje, mulher desesperada não clama, deleta. &lt;br /&gt;Se o problema for um homem e merecer uma segunda chance, dá-se um boot, arma-se um bote. Navega-se.&lt;br /&gt;Mas se ele comete um erro fatal, aí tem que fechar o programa legal. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;VAI CONTINUAR A MORRER&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;Pernoito no hospital enquanto mamãe se prepara para morrer ao lado de outras pessoas que lutam para continuarem vivas. A fita mostra o momento exato em que saio à rua, é sábado, está um sol desesperado de verão passeando no céu azulíssimo. É como se eu estivesse me preparando para morrer também, um dia. Penso que neste exato momento pessoas fazem planos, viagens, compram carros, tiram passaporte, publicam livros, estreiam shows, apaixonam-se, trepam, gozam, dançam, ganham dinheiro, nascem até. Mas para mim a vida está parada. Voltarei à noite para acompanhar minha mãe, que vai continuar a morrer. &lt;br /&gt;O Hospital do Câncer é o lugar mais triste do mundo. &lt;br /&gt;Eu sei que o tempo vai passar, mamãe vai morrer, depois o luto vai clarear aos pouquinhos, pois a vida teima sempre em continuar. Eu sei que vou lacrar esses momentos tristes no baú dos assombramentos e que vou alcançar a carreta da vida lá na frente. É tudo uma questão de tempo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quero estudar. Quero escrever. Quero fazer milhões de coisas que não tenham preço, invendáveis, que nunca darão dinheiro, quero fazer fotografias em preto e branco e encher as paredes de uma casa no alto de 214 andares, onde quase ninguém vai. Quero aprender espanhol pra cantar no chuveiro. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;EXPERIÊNCIAS MAL-SUCEDIDAS ENTUPIRAM O CORAÇÃO DE CLIHÊS &lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ARTE COM PAPEL E VENTO&lt;br /&gt;Contra tudo e contra todos, saí da minúscula Zona Sul e fui à 28ª Delegacia, em Campinho, resgatar meu celular roubado. No caminho vi homens e meninos nos telhados, sem camisa, o céu vermelho de fim de tarde supremo fazendo palco pra eles soltarem pipas. Eram tantas, graciosas, coloridas. Soltar pipas é um esporte solitário, que exige mãos firmes, leveza, cabeça fresca, autocontrole. Uma arte que o homem faz com papel e vento. Embelezavam o crepúsculo. Não me refiro às pipas, mas aos meninos e aos homens. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;O CARIOCA&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;O carioca tem uma qualidade, que de tão grande virou defeito. Não nega informação na rua. Faça o teste. Pergunte a um carioca onde fica a Rua Tal. Se ele souber, repare seu olhar de satisfação. Porém... se ele não souber a localização da Rua Tal, observe sua expressão de descontentamento. O carioca vai olhar arregalado em volta, fazer um esforço sobre-humano, cavucando a memória, aflito. E, se de todo não puder ajudar, vai dizer qualquer coisa, é capaz até de inventar que é pra lá. E não será por maldade. Simplesmente o carioca, quando abordado por alguém perguntando onde fica a tal lugar, não consegue responder simplesmente: - Desculpe, eu não sei. &lt;br /&gt;A Antropologia explica mais que Freud. Esse comportamento atávico teve sua origem nos primeiros contatos entre tribos indígenas seminômades e estrangeiros perdidos na selva. Os índios eram tão alegres e geograficamente tão situados, e os estrangeiros tão desorientados e medrosos, que nada doía mais na alma ingênua de um silvícola do que encontrar aqueles branquelos peludos e magrelos suando e desidratando em suas botas, a poucas passadas de um riacho doce embutido na mata. &lt;br /&gt;Naquela época nem precisava perguntar nem gesticular: água, água, água... Era só olhar pra cara suada e faminta do gringo perdido e assustado e apontar? Não. Os índios faziam questão de levá-lo até lá. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;FOTOS RECÉM-NASCIDAS&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;Meraluz, tirei da incubadeira fotos recém-nascidas, ou há muito congeladas e paridas, que deixei numa cestinha na tua porta com um termo de adoção. Mate as feiosas como algumas tribos fazem com os bebês doentes. Delete-as rápido, antes que te apegues e percas a imparcialidade necessária para selecioná-las para o nosso site. Minhas filhas biológicas, entrego-as a ti, para que as insira na cultura. Seja rigorosa com elas. Eu, de tanto olhá-las, me envolvo, perco o critério. São diferentes das outras, as estátuas fotografadas por mim. Reconheço seus mínimos detalhes e a instabilidade de seus ângulos. Doem em mim suas partes quebradas, sujas, pintadas com cocô de pombo. Revejo-as nos meus trajetos diários, condoída com o abandono em que se encontram, e só fico tranquila porque sei que as encontrarei sempre, embora mortas, ali. Leve-as com cuidado, como tens feito, para o mundo virtual, onde ganham vida, recriadas por ti. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meraluz, por que será que as estátuas têm pombos na cabeça? Como são esquartejados os bustos! A homenagem perde sua pompa e ridiculariza momentos imortalizáveis da História. Quando cresce o mato, chafarizes secos. Se jorram água abrigam bandos de mendigos, alcoólatras e gente que mora na rua e ali se banha, se ensaboa e lava roupa, como quem se sente em casa. Gosto de visitar as estátuas que fotografo, para ver como estão. Engana-se quem pensa que estão sempre iguaizinhas. Noite ou dia, sol ou chuva, desenhos de pinceladas de merda e um detalhe fundamental, que as torna sublimes, gozadas ou humanas: onde pousará o pombo? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O pombo humaniza a estátua. A estátua petrifica o pombo. Impossível separá-los. O pombo ridiculariza a estátua. A estátua dignifica o pombo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meraluz, quando chove, as estátuas ficam limpas: a nua da Candelária, a Imaculada, os dois homens a cavalo, o padre catequizando a menina, o tenente ferido.  &lt;br /&gt;Durante meses, fiquei obcecada pelo Monumento da Cinelândia. Emocionam-me suas cenas representando a dramaticidade das relações humanas. Gastei dinheiro, rolos e rolos de filme, irritei-me. Uma pessoa me sacaneou quando cheguei feliz com um envelope cheio de fotos fresquinhas, dizendo: E agora? São fotos de homens lindões, ou DE NOVO aquelas estátuas cheias de cocô?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5263131920585591179-2204872493812070872?l=finitacomoflores.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://finitacomoflores.blogspot.com/feeds/2204872493812070872/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5263131920585591179&amp;postID=2204872493812070872' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5263131920585591179/posts/default/2204872493812070872'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5263131920585591179/posts/default/2204872493812070872'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://finitacomoflores.blogspot.com/2010/07/baldes-de-esquecimento.html' title='Baldes de esquecimento'/><author><name>GH</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07665796476132680903</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='21' src='http://4.bp.blogspot.com/_124d0SzjgBw/TIVCzH1MR9I/AAAAAAAAK2U/CWALNRvLIMs/S220/GH.Alhambra.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5263131920585591179.post-3992909117857708835</id><published>2010-07-18T19:58:00.001-07:00</published><updated>2010-09-05T18:20:14.874-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Se a cidade fosse uma moça...linda e porca'/><title type='text'>Se a cidade fosse uma moça...linda e porca</title><content type='html'>Se a cidade do Rio de Janeiro fosse uma moça seria linda e porca. Andaria em más companhias.  Um assalto no meio da rua é invisível como mais um pombo emporcalhando a cidade.  O Rio de Janeiro tem as praias, a Lagoa e a Baía imundas. Água servida. E o trânsito tão caótico quanto seria a cabeça da moça linda e porca. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;DURMO SEM BATUQUES&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;O carnaval foi embora e levou a folia.   Durmo sem batuques. Os transeuntes, os camelôs, os mendigos, os pedintes. Está tudo normal, agora. A diversão não é mais obrigatória. Tampouco a alegria. Posso enfim sentir-me nostálgica sem culpas. Se ao menos eu soubesse o que tanto se comemorava, talvez fosse levada pelo cordão umbilical da euforia. Latas recolhidas, amassadas, vendidas, recicladas. Estradas apinhadas de gente retornada para os seus respectivos lugares.  A vida retoma seu curso. Basta matricular- me. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vontade de arrancar a cabeça dessa corruptela safada que joga no esgoto de seus próprios bolsos a dinheirama sugada pela veia do nosso pescoço,  mão leve que se enfia em nossas entranhas e arranca o suor, o tempo, a saúde, a roupa nova, o remédio, o cinema que não fomos, o bife que não comemos, o curso que não fizemos, a doença que não tratamos, e nos entopem de siglas, de boletas, de ralos por onde aumentam os serviços básicos e nos chupam as glândulas de canudinho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;LÁ NA PUTAQUEOPARIU TEM PRAIA? &lt;/b&gt;&lt;br /&gt;Ele passou a semana em Sacramento de novo com os filhos “e a mãe”. Ele é casado e pensa que não é, então fica culpado porque no fundo sabe que é casado e pensa que não é católico mas é, no fundo acha errado o cara casado pular a cerca porque jurou ser fiel na alegria e na dureza mas não é. Mas talvez ele não saiba disso que eu sei porque penso que adivinho pensamento de homem. &lt;br /&gt;Não consigo deixar de tentar adivinhar pensamento de homem!!!!!! É vício, cara, simplesmente não consigo! São mais de quarenta anos tentando adivinhar e achando que adivinhava. Dei o primeiro passo: não sei o que se passa na cabeça dos homens, digo a mim mesma ao levantar. Mas, se começo, é impossível parar, basta a primeira tentativa e todo um pensamento vai se encadeando em minha mente e não consigo parar de narrar o que vai na cabeça do cara. Sei lá o que o cara tá pensando!!! Eu sei lá! Vai ver que é mentira, que nem foi pra Sacramento coisa nenhuma, que foi pra Puta que o Pariu e não quer me contar. Lá na Putaqueopariu tem praia????&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;FIDELIDADE À TODA PROVA &lt;/b&gt;&lt;br /&gt;Os morcegos enxergam no escuro. Os atobás são fiéis. Há pessoas que nascem com a voz previamente afinada. Há pessoas que vêm ao mundo despreparadas para, numa só vida, aprender Física Quântica. Outras, ainda pequeninas, somam de cabeça. Outras, compulsivas, são antecipadamente infiéis. Os pombos-correio sempre voltam, não importa a lonjura. Há pessoas que se perdem no bairro onde moram. A região do cérebro destinada à Geografia extraviou-se nas conexões nervosas e foi reciclada talvez para memorizar ritmos. Ouvi dizer que um bilíngue pode levar uma pancada num local muito do específico do crânio, sumindo de dentro da cabeça uma de suas línguas. Bem que mamãe me dizia:    Glorinha, as pessoas não mudam.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;AMOR HORMONAL &lt;/b&gt; &lt;br /&gt;Uma preguiça atávica de continuar pela vida afora esperando telefonemas, adivinhando pensamentos, analisando comportamentos, seduzindo um seduzir sem fim. Uma leveza básica agora que formalizo em mim o encerramento dos trabalhos, neste momento em que isto é normal e digo adeus ao amor hormonal. A menina que já sofria pelo menino que naquele dia não apareceu no telhado para fingir que soltava pipa e espiá-la cumpre trinta anos de relacionamentos amorosos, dolorosos, divertidos, aborrecidos, parecidos uns com os outros como índios de uma mesma tribo endogâmica. Tudo é mistério. E tudo é simplório se vivemos a vida sem a encrenca do palavreado. A paciência, como sola de sapato, gasta, esgota-se e não duela. Morre naturalmente sem ter se perdido jamais. Viro a página e vivo em paz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mariana me disse que o remédio expulsou a depressão e a insônia, conforme o pedido, mas levou junto a libido. Criança jogada fora com a água do banho. Tantas perdas, algum ganho. No pacotão dos defeitos colaterais, seu coração é como uma casa destelhada, mas Mariana está contente, não quer conserto. Quer medicamento.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5263131920585591179-3992909117857708835?l=finitacomoflores.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://finitacomoflores.blogspot.com/feeds/3992909117857708835/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5263131920585591179&amp;postID=3992909117857708835' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5263131920585591179/posts/default/3992909117857708835'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5263131920585591179/posts/default/3992909117857708835'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://finitacomoflores.blogspot.com/2010/07/se-cidade-do-rio-de-janeiro-fosse-uma.html' title='Se a cidade fosse uma moça...linda e porca'/><author><name>GH</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07665796476132680903</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='21' src='http://4.bp.blogspot.com/_124d0SzjgBw/TIVCzH1MR9I/AAAAAAAAK2U/CWALNRvLIMs/S220/GH.Alhambra.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5263131920585591179.post-6441883838908210181</id><published>2010-07-18T19:57:00.001-07:00</published><updated>2010-09-05T18:20:38.027-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Bula do amor'/><title type='text'>Bula do amor</title><content type='html'>PÂNICO? DOIDO É QUEM NÃO TEM&lt;br /&gt;Desde que decidiu abolir os remedinhos, o pânico cravou as unhas bicudas em seu coração. Tentou segurar a onda como um surfista louco.  Tentou segurar a barra como um halterofilista desequilibrado, e equilibrar-se na corda bamba como um equilibrista bêbado. Sabia que do chão não passaria e sabia muito bem. Mudou de ideia e medicou-se porque o mar não tá pra peixe, acabou-se o que era doce e é melhor um comprimido na mão do que dois pássaros negros voando muito além. Pânico? Doido é quem não tem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PESADELOS RECORRENTES NÃO RECICLÁVEIS &lt;br /&gt;Esvaziar o armário triplex da memória e comprar tudo novo na loja do futuro. Junto, tudo que não mais serei, dobrado numa sacola plástica e doado a alguém bem jovem que esteja precisando de esperanças manequim 42. Junto, tudo que não espero mais e que de tanto esperar quase se gruda em mim como uma pinta. Encher os armários com desejos novos, sonhos inéditos, e jogar no lixo os pesadelos recorrentes não recicláveis. Não carregar o passado como uma mala de rodinhas. Quero um futuro, rebatizar-me. Amnésia. Com tanto espaço liberado no HD da memória afetiva, lembrarei, de cor e salteado, todos os filmes que vi na vida e seus nomes, personagens e atores, tudo na ponta da língua, armando beijos triplex futuristas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Trauma é quando a gente apanha muito num mesmo lugar. Trauma é sofrimento repetido. Sofrimento novo, acho que aguento. Divergências inéditas. Decepções desconhecidas. Sofrimento velho de guerra, sequela, sofrimento cheio de intimidades, que já me trata por tu e entra sem bater na porta, como se fosse da casa, como se fosse parte, enxoto agora com vassoura, grito ou trabuco. Me mudo. Muda, bifurco. Crio asas, voo alto correndo riscos, rindo, me estabaco mas não caio no mesmo lugar. Quem sabe até aprendo a planar. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;LOOP INFINITO é quando uma função entra num erro e se repete indefinidamente até que o usuário interrompa o processo. Eterno retorno. Somos aprisionados por situações que nos perseguem, que nos descobrem, não importa se mudamos o cabelo, se envelhecemos, engordamos, lá vêm elas, pé ante pé, como gêmeas siamesas idênticas e fantasmagóricas, trazer para o nosso coração sempre a mesma assombração, um homem que só muda de nome e que não vemos pois ele só precisa, por exemplo, ser alto e homossexual enrustido, ou louro e intelectual violento. Com tanto filme bom passando, minha vida traz a mesma cena e se fujo dela, caio no buraco negro, de onde nada sai.  Digo não ao loop infinito, dou um boot, armo um bote e caio fora.  Não me pegam mais agora. Fiquei free. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Certos amores curam. Outros, mal comparando, são como alergia. Basta, portanto, não chegar muito perto. Doença ou remédio, é imprescindível saber distinguir quem colore a nossa vida de quem a inferniza. Mais que isso. Ninguém passa dos quarenta alheio a tão importante lição de Química e Metodologia. A proximidade de alguém pode ser a balsa que nos salva ou o maremoto que nos afoga quando naufragamos de amor. Saber distinguir, com exata precisão cirúrgica, se é hora de pular fora ou de pular em cima é uma sabedoria milenar sem aplicação prática, mas extremamente rica em poética. Um manancial de metáforas. Também podemos ser classificados e reclassificados como maremoto ou monotonia.  Entretanto, todos nós gostaríamos de ser, um para o outro, bálsamo, inferno e alegria.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5263131920585591179-6441883838908210181?l=finitacomoflores.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://finitacomoflores.blogspot.com/feeds/6441883838908210181/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5263131920585591179&amp;postID=6441883838908210181' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5263131920585591179/posts/default/6441883838908210181'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5263131920585591179/posts/default/6441883838908210181'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://finitacomoflores.blogspot.com/2010/07/bula-do-amor.html' title='Bula do amor'/><author><name>GH</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07665796476132680903</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='21' src='http://4.bp.blogspot.com/_124d0SzjgBw/TIVCzH1MR9I/AAAAAAAAK2U/CWALNRvLIMs/S220/GH.Alhambra.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5263131920585591179.post-6220913392660889003</id><published>2010-07-18T19:56:00.002-07:00</published><updated>2010-09-05T18:21:03.464-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Devedores anônimos'/><title type='text'>Devedores anônimos</title><content type='html'>&lt;b&gt;DEVEDORES ANÔNIMOS &lt;/b&gt;&lt;br /&gt;A primeira vez que dei um cheque pré-datado, foi só para experimentar.  Achava que ia ser só aquela vez. Mas a verdade é que dali para entrar no cheque especial foi um pulo, nunca mais consegui sair. Fiz uma viagem e levei um cartão de crédito internacional imaginando que, parcelando, quitaria tudo em poucos meses. Aproveitei minhas férias. Porém, eu pagava e a conta não diminuía. O segundo empréstimo quitaria o primeiro e renegociaria a dívida, com juros mais baixos e um prazo maior. Cheguei ao fundo do poço. Comprava tudo parcelado, até comida de supermercado.  Tornei-me uma dependente do Banco. Hoje sou uma devedora em recuperação. Ainda devo, mas aprendi que  nunca o primeiro pré.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;SE FOR DO BANCO, DIGA QUE NÃO ESTOU&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;Quando o telefone toca e chamam por Dona Maria, já sei: é cobrança.  Estou ferida. Me aguardem, escorpiã renascida. Ferro elétrico, um dia na semana. Net desligada, luzes apagadas, freezer fora da tomada. Pagarei tudo aos poucos e nunca nunca mais pedirei nadinha aos Bancos. Eles vão me telefonar, enviar cartõezinhos, cartas assinadas, oferecer brindes, sorteios, flores, dinheiro fácil. Vão implorar, imprimir cartazes convidativos com fotos de joias, carros, casas, barcos, viagens, passeios, homens lindos.  Mas eu serei irredutível. Dinheiro gostoso é o meu, mesmo magrelo e baixinho. Pagarei alto nossos juros, sem dar um pio. E o Banco que me esqueça. Vingança é um prato que se come frio. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como um marido desconfiado, como um detetive esperto, como um rabo.  Queria seguir minha CPMF como quem segue um córrego que vai dar num rio de dinheiro. Pra onde vai esse rio? Para a vala comum dos recursos públicos? Para o mar da corrupção? Para a modernização de um hospital público? Alguém precisa me prestar contas antes que eu cometa uma loucura. Que sigla abusada é esta que entra na minha conta sem senha e sem convite, me dá uma facada e leva meu dinheirinho suado pra globosfera? Desfalcada, impotente, roubada, otária. Tacitamente assaltada. Mensalmente invadida na minha privacidade monetária. Queria ser um mosquito quântico, uma mosquinha virtual, um vírus inteligente, pra seguir, sem ser vista, cada movimento dessa grana que era minha e que me escapa pela rede, sem que eu tenha como comandar ou conhecer seu destino.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5263131920585591179-6220913392660889003?l=finitacomoflores.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://finitacomoflores.blogspot.com/feeds/6220913392660889003/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5263131920585591179&amp;postID=6220913392660889003' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5263131920585591179/posts/default/6220913392660889003'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5263131920585591179/posts/default/6220913392660889003'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://finitacomoflores.blogspot.com/2010/07/devedores-anonimos.html' title='Devedores anônimos'/><author><name>GH</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07665796476132680903</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='21' src='http://4.bp.blogspot.com/_124d0SzjgBw/TIVCzH1MR9I/AAAAAAAAK2U/CWALNRvLIMs/S220/GH.Alhambra.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5263131920585591179.post-8755701668460544502</id><published>2010-07-18T19:56:00.000-07:00</published><updated>2010-09-05T18:21:19.040-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Meu nome é Maria'/><title type='text'>Meu nome é Maria</title><content type='html'>Acompanhar meu saldo bancário é uma tarefa mais misteriosa que a origem e o destino do universo.  Entenderia a Cabala, os Arcanos, os Arquétipos.  Na secretária eletrônica, uma voz de homem me pede pra ligar pro Banco com urgência. Ligo de volta e na minha agência ninguém sabe de nada. Está tudo bem com sua conta, Dona Maria, me dizem.  Mais essa: virei Dona Maria.  Meu nome é Glória, Maria da Glória, mas, por favor, me chamem de Glória, quase imploro. Não adianta.  Continuam rebatizando-me.  Nada contra Maria, acho até um nome bonito. Mas dos outros. Da minha sogra, da minha amiga Maria Borba, da mãe de Cristo, da vizinha. Há algum tempo eu me debato com essa questão de identidade. Tento enfiar na minha cabeça que  EU SOU A DONA MARIA.  Pois se é esse o meu PRIMEIRO nome. Todas as Marias da minha geração, Maria de Fátima, Maria Fernanda, Maria Cristina, Maria Isabel, Maria Cláudia (era moda no tempo do meu nascimento), todas viraram Dona Maria, como eu, a marca das contemporâneas. Tento conformar-me e aceitar a mudança como fazem algumas tribos de índios que recebem um nome novo a cada fase da vida.&lt;br /&gt;Tensa, renomeada, preciso estudar matemática para a prova de domingo.  Mas não consigo concentrar-me depois de tantos e enigmáticos telefonemas. Dona Maria está uma pilha, ilhada, irada, febril, sozinha.&lt;br /&gt;Foi dado o veredicto. Fiz prova numa sala com oitenta Marias.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;SENHORA &lt;/b&gt;&lt;br /&gt;Primeiro estranhei. Hoje gosto que me chamem de senhora.  Outro dia comprei uns biscoitinhos no camelô da esquina e o vendedor me peguntou:&lt;br /&gt;-Tu vai querê sacola? &lt;br /&gt;Quase disse:&lt;br /&gt;Que intimidades são essas? Eu conheço o senhor, por acaso?  Meu nome é Dona Maria e exijo ser chamada de SENHORA!  É cego? Não está vendo que SOU uma senhora?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5263131920585591179-8755701668460544502?l=finitacomoflores.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://finitacomoflores.blogspot.com/feeds/8755701668460544502/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5263131920585591179&amp;postID=8755701668460544502' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5263131920585591179/posts/default/8755701668460544502'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5263131920585591179/posts/default/8755701668460544502'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://finitacomoflores.blogspot.com/2010/07/meu-nome-e-maria.html' title='Meu nome é Maria'/><author><name>GH</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07665796476132680903</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='21' src='http://4.bp.blogspot.com/_124d0SzjgBw/TIVCzH1MR9I/AAAAAAAAK2U/CWALNRvLIMs/S220/GH.Alhambra.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5263131920585591179.post-8504980908763292723</id><published>2010-07-18T19:54:00.003-07:00</published><updated>2010-09-05T18:22:03.128-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Teste vocacional para a terceira idade'/><title type='text'>Teste vocacional para a terceira idade</title><content type='html'>A alegoria que melhor representa as guinadas que quero dar no meu percurso é a roleta  onde aposto quase todas das minhas fichas em determinado acontecimento futuro, cor/número, e quando, no girar aleatório do jogo, quero as rédeas da minha vida, esforço-me para ter controle sobre elas, faço tudo direitinho e ainda assim sinto-me num cassino planejando as próximas jogadas, as próximas conquistas, à mercê da sorte e do azar desprovidos de qualquer planejamento. Olho pra trás e faço um balanço entre empenho e destino e o saldo é um certo desequilíbrio entre o rumo que eu traçava no mapa do papel da mente e os resultados obtidos. Queria ser livre leve solta e fui forçada pelas circunstâncias a ser metódica. Queria um companheiro lúdico e estou free. Queria estar me aposentando como meus contemporâneos mas esqueci de pagar o INPS e me vejo escolhendo o curso que vou fazer, insegura,  sonhando com um teste vocacional para a terceira idade,  como bem disse a Rita Abreu. Rejuvenesço, quando teço planos para uma vida nova. Agora eu vou pra lá, penso, quase torcendo o volante, mas a vida de quem foi alternativa e autônoma tantos anos se impregna de uma sensação, mesmo enganosa, de desgoverno e, ainda que servidora pública há seis anos, sinto-me numa balsa à deriva, em busca de terra firme que existirá em algum ponto do meu  se-é-que-existe Destino. Remo sem conhecer a posição das estrelas e tenho a nítida impressão de estar dando tiro pra tudo quanto é lado quando na verdade é mentira.  Obstinadamente tracei um plano e pelejo. Mas não sou dona absoluta do meu futuro, como ninguém é. Canto aquela velha canção que mamãe ouvia:    Quem eu quero não me quer / quem me quer mandei embora / e por isso já não sei / o que será de mim agora. Não existe a mínima possibilidade de voltar atrás e aceitar aquele emprego na Editora Abril, que me ofereceram em 1988, que recusei porque havia sido convidada para participar do programa de entrevistas do Clodovil.  Dispensei empregos em prol das performances poéticas, recitar pelo mundo meus versos de cor. Meus cinco minutos de Glória. Mamãe sempre dizia: Faz um concurso público, minha filha. Eu ria. Ela, tadinha, morreu sem ver a filha poeta funcionária, ou talvez esteja vendo, gargalhando, e dizendo no Céu:  Quem ri por último ri melhor.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5263131920585591179-8504980908763292723?l=finitacomoflores.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://finitacomoflores.blogspot.com/feeds/8504980908763292723/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5263131920585591179&amp;postID=8504980908763292723' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5263131920585591179/posts/default/8504980908763292723'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5263131920585591179/posts/default/8504980908763292723'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://finitacomoflores.blogspot.com/2010/07/teste-vocacional-para-terceira-idade.html' title='Teste vocacional para a terceira idade'/><author><name>GH</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07665796476132680903</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='21' src='http://4.bp.blogspot.com/_124d0SzjgBw/TIVCzH1MR9I/AAAAAAAAK2U/CWALNRvLIMs/S220/GH.Alhambra.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5263131920585591179.post-3181265726378360558</id><published>2010-07-18T19:54:00.001-07:00</published><updated>2010-09-05T18:22:28.884-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Não há órfãos'/><title type='text'>Não há órfãos</title><content type='html'>Hoje estou muito feliz. Aprendi de novo o que é um decâmetro, um hectômetro, um número primo. Que beleza! Obrigada, Márcio. Obrigada, Henrique! A trajetória humana é uma caixinha de surpresas! O fato de durante toda minha vida não ter precisado dessas informações não quer dizer que um dia, subitamente, não possam ser preciosas.  Nem que seja só pra passar num concurso. Provavelmente na Administração Pública há situações em que saber que um conjunto vazio está contido em qualquer conjunto seja imprescindível para melhorar a qualidade de nossas vidas. É só parar pra pensar. Nunca menospreze o que você não sabe, só porque você não sabe, como saber?  Realmente nunca tive ocasião de colocar em prática a raiz quadrada mas, volto a dizer, sinto que ela é importantíssima, senão não estaria há tempo aqui, e aqui vai continuar, mesmo depois de nós.  Ter vivido uma vida sem olhar pra ela não foi por querer. É que escolhi as Ciências Humanas. Nem escolhi, nasci com essas familiaridades. Compreendia melhor a interdição do incesto como moeda de troca equivalendo-se à linguagem, do que o centímetro cúbico, que sempre se manteve afastado de mim. A Literatura, a Fotografia, a Antropologia, a Arte pintaram no meu destino.  Interessaram-me, sobretudo, porque precisei delas, muitas vezes, para não me jogar da janela e sobreviver.  Mas e daí? A Matemática é maravilhosa! Raciocínio lógico! Hoje, com meu parco conhecimento, adquirido no livro que meu sobrinho de onze anos não usa mais, posso te dizer, em poucas horas, quantos alunos tem um colégio, sabendo-se que 120 não têm pai professor, 130 não têm mãe professora, 5 têm ambos os genitores professores, 55 possuem pelo menos um dos pais professor e que não há alunos irmãos. O Colégio tem 155 alunos, gente! Basta ir na secretaria e contar. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Adeus.&lt;br /&gt;A saudade tem seu charme, Madinha, posso apagar o passado recente e rejuvenescê-la em minha memória.  Quero guardá-la bela, mulherona que na minha infância tanto me encantava. Não envelhecerás. Serás a bela Helena, de humor instável, temperamento forte, língua ferina pronta para respostas afiadas gozadas rápidas, desconcertantes, gênio terrível, sensualidade à flor da pele, trágica beleza, amores explosivos, orgulhosa, irreverente, autêntica, brava, rancorosa, engraçada, debochada, alegre, linda com seus olhos verdes e suas longas unhas vermelhas, sofrida, sofrida. E depois divertida na sua extrema obsessão de dar valor às mínimas coisas. E comover-nos repetindo sempre ao telefone, antes de desligar, com a voz embargada de quem se despede: amo vocês. Guardo-te em mim.  &lt;br /&gt;Que o Mistério de onde um dia você veio te acolha de volta, singularizada. Tomara que a gente morra e não se misture de novo às estrelas, mas mantenha essa unicidade, atribuída à toda obra de arte de nossa cultura, para que, quando chegar o meu dia, a gente possa se encontrar de novo, matar as saudades, sem as amarguras e os dramas terrenos,  e rir como dois anjos sem dor e sem pecado.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;A CHORAÇÃO&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;A choração passa como uma gripe, como uma chuva. Lavados, prosseguimos. Recuperando a graça de sermos tolos com a sabedoria de quem sabe que é poeira de vento, pó de estrela, passagem, leve,  que nada pesado nos sobrecarregue porque viemos a passeio e já passamos da idade de sofrer por tolices  porque conhecemos de perto o indiscutivelmente triste. E só quem viu o que é indiscutivelmente triste de perto é capaz de dar uma gargalhada quase à toa, só porque estamos puros, meio crianças de visita. Tudo será breve quando olharmos pra trás e já tiver passado, bonança.  O ataque de riso é sagrado. Dele exijo fartura. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;O RISO É RENOVÁVEL E MINHA SALVAÇÃO&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;Sou compelida a fazer graça, mesmo dramática.  Cai um pedaço de mundo na minha cabeça como um novelo emaranhado e me flagro tecendo  planos para futuros, vibrando com possibilidades que talvez não se concretizem. As funções aborrecidas do dia-a-dia, as perdas iminentes, os becos sem múltiplas saídas, as amargas notícias que os jornais diários selecionam, chapam, e fazem questão de nos jogar na cara sem análise, como um pão puro de ontem, nada, nada consegue tirar de mim a excitação de matricular-me num curso novo, a expectativa de uma porta boa entreaberta.  Um otimismo poliano que me deixa infantilizada, a manifestação de um sintoma que, em vez de manifestar-se em febres ou espinhas, nubla a realidade e me deixa com esse olhar de satisfação quase idiota.  Sou palhaça, avoada, alegrinha, e quando eu morrer os Titãs vão dizer: &lt;br /&gt;-  Ah, poderia ter amado mais e sido mais amada, poderia ter sido famosa, feito um pé de meia, poderia ter sido até mais feliz. Mas jamais dirão:&lt;br /&gt;- Esta perdeu oportunidades preciosas de rir. &lt;br /&gt;Isso nunca. Quero gastar toda a minha cota de riso desta encadernação. O riso é renovável e minha salvação.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5263131920585591179-3181265726378360558?l=finitacomoflores.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://finitacomoflores.blogspot.com/feeds/3181265726378360558/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5263131920585591179&amp;postID=3181265726378360558' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5263131920585591179/posts/default/3181265726378360558'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5263131920585591179/posts/default/3181265726378360558'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://finitacomoflores.blogspot.com/2010/07/nao-ha-orfaos.html' title='Não há órfãos'/><author><name>GH</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07665796476132680903</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='21' src='http://4.bp.blogspot.com/_124d0SzjgBw/TIVCzH1MR9I/AAAAAAAAK2U/CWALNRvLIMs/S220/GH.Alhambra.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5263131920585591179.post-4803692780472777177</id><published>2010-07-18T19:53:00.000-07:00</published><updated>2010-09-05T18:22:57.477-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='A verdade assusta e faz rir'/><title type='text'>A verdade assusta e faz rir</title><content type='html'>A verdade assusta e faz rir, mas gosto dela com suas mil facetas despistando. Segredos são como bolas de fogo corroendo entranhas. Gosto de espelhos, confissões, sinceridades.  Frases tascadas na cara feito tapa.  Cada vez mais, falo o que penso e me estrepo.  De que tanto se envergonham as línguas travadas, as meias palavras, mudanças bruscas de assunto, chás de sumiço.  Ninguém ouve a verdade inteira. Nem que seja a do momento. Nem que se esteja enganado.  Se eu não fosse escritora, seria uma mulher-bomba sem explosivos.  Voaria em pedaços só com a combustão das palavras. Atrás delas me escondo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;RETIRO O QUE DISSE &lt;/b&gt;&lt;br /&gt;Retiro o que disse ontem. Às vezes uma frase vingativa escapa e detonamos um relacionamento. Às vezes se vive e se morre uma vida inteirinha na feliz ignorância de um fato. Se a verdade tem dois lados, vamos ficar com o bom.  Um incentivo, um elogio e um eu te amo, adoçam o coração, mesmo que falsos. Uma desculpa, uma satisfação, um pedido de perdão, mesmo que falte o arrependimento. Tudo é melhor que a agressão do silêncio e do sumiço. Segredos podem ser caixas de veneno trancadas a sete chaves. Segredos podem ser riquezas que selam amizades. Amálgamas de individualidades. Sou o que sei. O silêncio é de ouro, mudei de ideia.&lt;br /&gt;Hoje em dia as pessoas mais esclarecidas dizem aos filhos adotados que são adotados. Há algumas décadas, quem revelasse um segredo desses arriscava-se até a levar um tiro. Hoje em dia os médicos dizem a verdade aos próprios pacientes e não mais a seus parentes. Um médico é capaz de dizer, e disse, eu ouvi: &lt;br /&gt;- Os remédios não estão mais fazendo efeito, o organismo não está mais respondendo. Eu sempre disse à senhora que um dia isso ia acontecer.  Não há mais nada a fazer.  &lt;br /&gt;A paciente que ouvia era minha mãe.  Saímos do hospital de braços dados, em silêncio, até que ela me perguntou do que eu mais me lembraria dela. Do seu senso de humor, respondi.  Então ela me disse: o que eu mais gostei na vida foi de namorar. Ela morreu pouco mais de um mês depois, com o namorado a seu lado.  Deixou vários envelopes, orientações burocráticas e bilhetes. Endereços para onde eu devia ir, documentos que tinha que levar. A verdade foi um procedimento adotado, tanto por ela quanto pelo médico.  Tanta realidade exigiu de nós um autocontrole que rasgou meu coração para sempre.  Sete anos depois tenho uma ferida aberta, oculta e quieta. Se por acaso esbarro, como dói. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na tela do micro fico refletida como um espelho por causa da claridade excessiva. O que não souber narrar, invento.  Pescar palavras fortes - calvário      destroços     cativeiro   -  torna nossa banalidade trágica.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5263131920585591179-4803692780472777177?l=finitacomoflores.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://finitacomoflores.blogspot.com/feeds/4803692780472777177/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5263131920585591179&amp;postID=4803692780472777177' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5263131920585591179/posts/default/4803692780472777177'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5263131920585591179/posts/default/4803692780472777177'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://finitacomoflores.blogspot.com/2010/07/verdade-assusta-e-faz-rir.html' title='A verdade assusta e faz rir'/><author><name>GH</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07665796476132680903</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='21' src='http://4.bp.blogspot.com/_124d0SzjgBw/TIVCzH1MR9I/AAAAAAAAK2U/CWALNRvLIMs/S220/GH.Alhambra.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5263131920585591179.post-5615662028473120925</id><published>2010-07-18T18:41:00.001-07:00</published><updated>2010-09-05T18:23:13.487-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Mudança'/><title type='text'>Mudança</title><content type='html'>As janelas da cidade são labirintos de espelho misturando favelas, verdes vistas cariocas e infinitos ângulos do Corcovado onipresente. Lá vamos nós, procurando apartamentos. Como peixes perdidos de um cardume, como cupins que devoram o cimento da cidade. Rastreamos, confiantes que há algo e que nos espera. Pássaros migram e voltam seguindo as oscilações do tempo, o pulsar das quatro estações. Nós vamos e voltamos seguindo a maré das circunstâncias, fugindo do oscilar das bolsas de valores, dos planos mirabolantes dos governos e porque somos sensatos, tentamos transformar a estranheza em aventura. Ladeiras, favelas, barulhos, escadas, lonjuras, bailes funks balançam os preços. Vista, metragem, praia, comércio, segurança, silêncio. Combinamos nossos ingredientes de acordo com o dinheiro. O alcance da bala perdida. O alcance da conta bancária. Onde baterá o sol? Serão ruidosos e briguentos os vizinhos? Tem vista pra favela, pra Baía, pro Cristo, pro verde, pro tiroteio? Esticamos bastante o pescoço e temos tudo: a favela, a baía, o verde, o Cristo e o tiroteio. Quero a vista panorâmica, o parque, a piscina e a praia. Quero ver Cristo. De longe, estou nova ainda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A praia de Ipanema hoje pareceu-me estranha. Ameaçada pela possibilidade de não mais ser minha. Distanciava-se de mim, enquanto temia perdê-la. Dei-me conta, então, de que há dois anos não é mais a mesma. Lá, já não encontro amigos. A água hoje turva em nada lembra Ipanema dos bons tempos do Posto 9. Temendo não tê-la, constatei que há muito ela já não me pertencia. E voltei para casa sem cumprimentar amigos. Como um estrangeiro de visita numa praia estranha. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como um rio sem berço, fonte sem nascente, voltei para o bairro que hoje me abriga, que leva meu nome sem conhecer-me e no qual transito reparando para familiarizar-me. Se eu tiver que deixar o Rio de Janeiro, ou se aqui ficar, refaço meus laços. Hoje, a cidade não me acolhe. Hoje, alimentam-me as lembranças. Os hábitos mudaram. Estive alheia. Saí do coma. Onde estou, então, se aqui não é minha cidade? Investigo os cantos que me abrigariam, pra descobrir novos recantos, fazer novos amigos, cultivar os antigos como rosas, como vinhos. Renascer madura, rio novo que irrompe do escuro da terra para o solo fronteiriço. Perdi Ipanema hoje, como na infância perdi a Praça Malvino Reis, meu pai e o Minas Tênis Clube. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Rio de Janeiro é uma cidade variada. E eu quero morar perto de alguma ciclovia. Nossos trajetos diários ganham lupas. Temos novos olhos. Lentes que captam pormenores, vilas bifurcadas inusitadas esquinas. Os Classificados são o bisturi. Com ele traço um longo corte na barriga da cidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As janelas da cidade são labirintos de espelhos. Meu mapa. Exijo um mapa impresso que me oriente. Exijo anjos que me sinalizem, sonhos que me estimulem, dias ensolarados, luzes brilhantes que me iluminem a Metáfora. Exijo uma Estrela-Guia que me dê boas dicas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quantos cacos de vidro refletem a caleidoscópica cidade, inúmeros olhos para mirá-la, admirá-la ou lamentar-lhe a sorte, pobre naco de terra abandonada pelo Poder Público e abençoada pelos Deuses que perdem forças com o passar dos anos, com a sequência predadora dos governos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Projetar a vida pra frente remando contra as lembranças, querendo trazê-las comigo como um rebocador, guardando-as dentro de mim como um tesouro, tentando desvencilhar-me, cultivando-as, aparando-lhes as arestas, editando nossa história, mergulhando de cabeça no passado, arriscando-me a bater com a cabeça no fundo porque o passado era raso, olhando pra frente como se olha pela janela da casa da alma e vê vida chamando, caminhos, hasteando esperanças enquanto dói a dor de perder Madinha, enquanto procuro casa nova sem vontade de ir embora desse ninho verde que habito. O amanhã me convida, me espera, enquanto meus pais dançam eternamente na fotografia, alegres na sala da casa grande da infância onde não voltarei jamais, à casa que habita em mim como um órgão vital.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5263131920585591179-5615662028473120925?l=finitacomoflores.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://finitacomoflores.blogspot.com/feeds/5615662028473120925/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5263131920585591179&amp;postID=5615662028473120925' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5263131920585591179/posts/default/5615662028473120925'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5263131920585591179/posts/default/5615662028473120925'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://finitacomoflores.blogspot.com/2010/07/mudanca.html' title='Mudança'/><author><name>GH</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07665796476132680903</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='21' src='http://4.bp.blogspot.com/_124d0SzjgBw/TIVCzH1MR9I/AAAAAAAAK2U/CWALNRvLIMs/S220/GH.Alhambra.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5263131920585591179.post-8575406606794092426</id><published>2010-07-18T18:36:00.000-07:00</published><updated>2010-09-05T18:24:16.281-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Perdi minha pedra gigante'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='meus bem-te-vis tão gagos'/><title type='text'>Perdi minha pedra gigante, meus bem-te-vis tão gagos</title><content type='html'>A cidade se contorce para que a poesia continue a mirá-la. Perdi meus micos, minha pedra gigante, meus bem-te-vis, tão gagos, minhas andorinhas e morcegos disputando o voo rasante da água e desaparecendo nos buracos do muro alto como quem atravessa paredes. Perdi a respiração da mata, a orquestra de ruídos indecifráveis e inseparáveis que se alternam conforme as estações do ano, o pulsar dos ventos naquelas folhas, a lua que eu olhava rápido, as cigarras desesperadas agonizando seu canto de morte e veraneio. Empacoto-me e mudo, tentando ser leve e básica, e vejo Niterói do último terraço. Poucas malas, carrego no olhar a poesia que me ressuscita. Mudar de endereço é remexer nas entranhas da nossa morada, perder caminhos, ganhar ruas novas, surpreendentes trajetos, inusitadas descobertas, é andar de olhos bem abertos para o inesperado e esperá-lo. Espiar por novas janelas. Dar bom dia a novos vizinhos. E deixar pra trás.  Acordar de manhã e, antes de abrir os olhos, estranhar: onde estou?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Procurar apartamento na cidade do Rio de Janeiro é tarefa para uma vida inteira.  Diferentes linhas formam o desenho imaginário dos nossos curtos trajetos cotidianos. Aprendo mais da cidade, transitando.  Às vezes me desoriento. Feito uma formiga que segue um rumo introjetado, traço no mapa do Rio novas perspectivas. Maritacas, pombos porcos, árvores tortas do Aterro. Passeios de descobrimentos.  Convalesço familiarizando-me.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quero ser como um caramujo que carrega a casa nas costas, livre das arquiteturas, belas tábuas corridas, lindas divisórias, cores fortes nas paredes, flores enormes artificiais no hall dos elevadores. Resistimos. Resistimos às mudanças, mesmos às boas, porque somos pequeninos nos nossos noventa metros quadrados, uns em cima dos outros como cemitério de gavetas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PASMACEIRA É REQUISITO &lt;br /&gt;A pasmaceira é requisito para os remendos de agora. Trata-se de um retiro. Trata-se de um tempo. De uma desconstrução. Juro que não vou passar o resto da minha vida assim, disciplinadamente séria e econômica. Um dia os portões se abrirão e eu ainda estarei inteira. E poderei voltar à vida, retomando à força toda a magia que voa livre, quase invisível, mas que é de quem pegar.  Tendo um chão para pisar, voarei livre levemente louca. É uma questão de procedimentos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ARRUMO OS ARMÁRIOS DA VIDA &lt;br /&gt;É necessária a reclusão voluntária a que me submeto. Como um atleta na concentração, como um salão fechado para reformas, hoje quase me escondo. Paciente na estação, espero o trem da vida alegre passar de novo quando eu estiver pronta. Não deixarei que me cantem, sussurrados, os velhos motes.  Não serei de novo o que fui, nem o que esperam que eu seja, de acordo.  Acordarei rebelde, alegre gozadora, quando as longas obras terminarem. O que é bom é bom, guardo e cultivo. O que é ruim vai pro lixo. Gavetas, caixas, malas, porões, sótãos, envelopes, pastas, embrulhos, nada me escapa enquanto aguardo a reinvenção do mundo. Arrumo os armários da vida.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;UM PILOTO AUTOMÁTICO CONDUZ MEUS DIAS&lt;br /&gt;Um estranho piloto automático conduz meus dias, que são todos parecidíssimos e, por uma misteriosa razão, à qual não tenho nenhum acesso possível, sinto-me confortável. Acordo e funciono ritualisticamente. Num tempo que arranjo não sei como, procuro apartamento para alugar, mostro apartamento pra vender, escaneio e trato fotos para blogar. Não estou apática, estou vibrando. Sinto-me forte, alegre, bem-disposta, lúdica.  Não me impressiono com essa sequência de vida clonada.  O que me espanta é que funciono. Será que amadureci? Será que estou por fora? Será que me bloqueei? Será que me bloguei, que sou virtual agora?  Será que um anjo me conduz? Ou será que nem tudo que reluz?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5263131920585591179-8575406606794092426?l=finitacomoflores.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://finitacomoflores.blogspot.com/feeds/8575406606794092426/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5263131920585591179&amp;postID=8575406606794092426' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5263131920585591179/posts/default/8575406606794092426'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5263131920585591179/posts/default/8575406606794092426'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://finitacomoflores.blogspot.com/2010/07/perdi-minha-pedra-gigante-meus-bem-te.html' title='Perdi minha pedra gigante, meus bem-te-vis tão gagos'/><author><name>GH</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07665796476132680903</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='21' src='http://4.bp.blogspot.com/_124d0SzjgBw/TIVCzH1MR9I/AAAAAAAAK2U/CWALNRvLIMs/S220/GH.Alhambra.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5263131920585591179.post-1896056134533968716</id><published>2010-07-18T18:33:00.001-07:00</published><updated>2010-09-05T18:23:40.510-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Os filhos são como flechas'/><title type='text'>Os filhos são como flechas</title><content type='html'>Perdi as certezas de vista, meu mundo é de pano, estou no limbo. Pés plantados no chão, invejo quem os tem com profundas raízes, mas afrontam minha natureza se tento imitá-los, como um gato inveja o tigre. O rato inveja o morcego. O pato inveja o cisne. Voa o pássaro crescido e abandona o ninho. Voa a ave-mãe e abandona o ninho. Migramos. O verão está em outra parte. &lt;br /&gt;Que os filhos são como flechas para o mundo que com a mão firme atiramos, Gibran já dizia. Que os pais de boa pontaria acertam seus alvos, nos informaram. É o arco vazio a imagem que intriga.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5263131920585591179-1896056134533968716?l=finitacomoflores.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://finitacomoflores.blogspot.com/feeds/1896056134533968716/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5263131920585591179&amp;postID=1896056134533968716' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5263131920585591179/posts/default/1896056134533968716'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5263131920585591179/posts/default/1896056134533968716'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://finitacomoflores.blogspot.com/2010/07/os-filhos-sao-como-flechas.html' title='Os filhos são como flechas'/><author><name>GH</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07665796476132680903</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='21' src='http://4.bp.blogspot.com/_124d0SzjgBw/TIVCzH1MR9I/AAAAAAAAK2U/CWALNRvLIMs/S220/GH.Alhambra.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5263131920585591179.post-3101799836410258023</id><published>2010-07-18T18:32:00.002-07:00</published><updated>2010-09-05T18:25:21.096-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Meus pertences'/><title type='text'>Meus pertences</title><content type='html'>Quando os medos e as culpas se dissipam, somos capazes de enfrentar as situações mais adversas, se há saúde. As fases são contornáveis porque transitórias. Que o tempo passa rápido é uma realidade que não necessita demonstração.  Aparentemente o caos está instalado, as roupas misturadas, os livros espalhados, os pertences na mais absoluta desordem.  Mas, se dentro de nós, dentro do possível, os sentimentos estão arrumadinhos, mesmo que arbitrários ou personalíssimos, somos capazes de atravessar os dias em paz. Quem naufragou no grande mar do sofrimento, e sobreviveu, e sarou, sabe a exata proporção dos sacrificiozinhos de riacho raso.  Porque remanejei a memória e deletei todo o lixo, e porque tenho uma saúde de ferro, posso achar graça dos pequenos infortúnios bolhas de sabão e até rir deles.  Rir de nós mesmos é uma graça divina. Uma gracinha.  &lt;br /&gt;Rajadas de vento não são rajadas de metralhadora. Indesculpável é não saber distinguir.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5263131920585591179-3101799836410258023?l=finitacomoflores.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://finitacomoflores.blogspot.com/feeds/3101799836410258023/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5263131920585591179&amp;postID=3101799836410258023' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5263131920585591179/posts/default/3101799836410258023'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5263131920585591179/posts/default/3101799836410258023'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://finitacomoflores.blogspot.com/2010/07/meus-pertences.html' title='Meus pertences'/><author><name>GH</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07665796476132680903</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='21' src='http://4.bp.blogspot.com/_124d0SzjgBw/TIVCzH1MR9I/AAAAAAAAK2U/CWALNRvLIMs/S220/GH.Alhambra.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5263131920585591179.post-2225647589300831791</id><published>2010-07-18T18:32:00.000-07:00</published><updated>2010-09-05T18:19:39.810-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='O bairro da Glória'/><title type='text'>O bairro da Glória</title><content type='html'>A cidade tem muitos cantos. Por isso posso olhar seriamente o mar de longe e sofrer porque a vida não é longa e temos que carregá-la conosco como uma mala de casco de tartaruga. Por isso posso experimentá-la, tendo-a esquecido. E apontar o Museu de Arte Contemporânea, tão pequenino do outro lado, como quem mostrava os micos da Lagoa pras visitas. Mudar de endereço é rever faces que tivemos, reconhecer, estranhar, às vezes sequer identificar. É ver surgir num retrato de infância o nosso olhar eterno, uma essência que já nasceu conosco e que permaneceu, com suas belezas e imperfeições, apesar das cores de cabelos que tivemos, dos corpos que habitamos e que se transformam diariamente, apesar dos penteados estranhos, dos amigos perdidos, dos amores que morreram para sempre, dos que não morrerão jamais, dos mortos, dos feridos, dos convalescidos e ver surgir o nosso olhar eterno como num espelho: essa sempre serei eu. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em Búzios comprei uma biruta que pendurei no alto da casa do Alto Glória, na esperança de que um helicóptero extravagante jogue um puçá e mude minha vida. Somos duas em casa agora. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vontade de voltar pra casa porque há um canto que me espera impregnado de referências e enfeites. É pequeno. Lá, meus pertences não cabem, livro-me do desnecessário, amplio seu conceito, obrigo os objetos escolhidos a fazerem contorcionismo e me conformo: morando sozinha no Rio definitivamente não necessito de três cobertores. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vi papagaios rondando a minha nova casa no alto e ouvi o assobio dos saguis sem vê-los. Bem-te-vis gagos comentavam entre si seus nomes. Bem no miolo do Rio de Janeiro. Talvez em breve eu possa desempacotar-me. Morte simbólica, sumiram de vista meus objetos, meus caminhos de ida e volta. Desgovernei-me na primavera. Mas a cidade é mágica por isso, porque não perdeu a inocência selvagem dos bichos. E andando meia hora ou menos estou no Centro. Cinelândia é nossa praça europeia e nosso depósito de meninos. Cine Odeon marcando os bons tempos. Por baixo da terra os trens nos levam pra Glória. Uma estação nos separa. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Aterro do Flamengo era meu cineminha diário pra ir pro trabalho que não me cansava de admirar do ônibus. Cinquenta minutos da porta de casa à porta do trabalho se transformaram em quinze. Agora virei mulher subterrânea sobre trilhos, que se vê refletida na janela escura. Quando o locutor em off avisa: Próxima estação, Glória! tenho a confiante tranquilidade que passar do ponto distraída é coisa do passado. Ouço meu nome e entendo: minha estação chegou. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando fui morar no bairro da Glória, sentia-me homenageada porque a papelaria, o caminhão da transportadora, a cooperativa de táxi, a pensão, o hotel, o teatro, o outeiro, tudo se chama, como eu, Glória. Até o Pet Shop é Bicharada da Glória. Tem rua com placa: Acesso à rua da Glória. Eu era a própria Joana Angélica, viva, passeando pelo calçadão. Um mês depois, estou saturada. Lá, eu me sinto como se perguntassem meu nome, e eu dissesse:&lt;br /&gt;- Ipanema. Meu nome é Ipanema.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5263131920585591179-2225647589300831791?l=finitacomoflores.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://finitacomoflores.blogspot.com/feeds/2225647589300831791/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5263131920585591179&amp;postID=2225647589300831791' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5263131920585591179/posts/default/2225647589300831791'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5263131920585591179/posts/default/2225647589300831791'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://finitacomoflores.blogspot.com/2010/07/o-bairro-da-gloria.html' title='O bairro da Glória'/><author><name>GH</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07665796476132680903</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='21' src='http://4.bp.blogspot.com/_124d0SzjgBw/TIVCzH1MR9I/AAAAAAAAK2U/CWALNRvLIMs/S220/GH.Alhambra.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5263131920585591179.post-5647817242352392002</id><published>2010-07-18T18:31:00.000-07:00</published><updated>2010-09-05T18:19:12.286-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Leila'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Ei-la'/><title type='text'>Ei-la, Leila</title><content type='html'>Leila, estou satisfeita com minha casa-malhação, no alto do mundo. Acho que finalmente vou ter bunda. Subir escadas dá bunda? Subo na boa, só não posso olhar pra cima que me dá vertigens e acho que não vou conseguir. Mas já coloquei uma cadeira em frente à sua casa, para descanso entre os primeiros cem degraus e os próximos cem. Assim teremos nossa prosa diária garantida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um amigo enciclopédico me disse que duzentos degraus equivalem a doze andares. Sem contar que estamos no alto de uma ladeira. É por isso que quando deito na minha cama, abro as janelas, e fico admirando a vista, o que vejo são gaviões, urubus e aviões sob o fundo azul do céu. É muito céu. É céu pra cacete! Se existir Deus, vou acabar dando de cara com ele. Algum recado? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Subo a minha ladeira caraminhola, os degraus íngremes que me afastam das picuinhas, dos rastros, das rasteiras, e suando chego no alto do mundo, onde aviões passam por dentro da minha cabeça, micos entram na minha cozinha pela porta, papagaios gritam em bandos uníssonos em polvorosa, bananeiras gemem noite e dia em lenta agonia, a cadela negra decola, sobe e desce a escada repetidas vezes como um elevador louco disparado, sem cansar-se, pêndulos, marés, ponteiros, até o tempo voar pra trás, paz na minha cachola, novela, livro ou foto em preto e branco. Alternativa, ensolarada, quieta. Ouço ao longe os disparos e os sustos das festas regadas a música antiga e longínquo falatório. Não jogo as tranças.&lt;br /&gt;A pé, escrevendo em blogs que ninguém lê, sem talento para relacionamentos, sozinha, trabalhando onde trabalho para sempre e nos fins de semana andando no calçadão até o cu fazer bico. E aí? Depois dos quarenta não tem mais história? Não quero a entorpecência dos drinques e das trepadas fáceis, os mesmos papos inúteis reclamando de homem, adivinhando pensamento de homem e antecipando a menopausa. Quero a alegria ou o silêncio. Livros, e paciência para suportar o desfile de dias gêmeos e enfileirados e chatos como soldadinhos na parada. Que inferno. Ouço fogos de artifício. O lugar onde moro é um subúrbio alegre, as ruas são feias, as fachadas não vêem pintura há anos, a calçada é emburacada e desigual, repleta de cadeirinhas com bêbados em cima e falsa alegria, mentes alteradas. Orelhão não funciona, lixo acumulado, tudo é ladeira. Vivo suando, bufando e carregando sacolas com comida. A grana é curta. Se tomo um chope, fico culpada. Se pego um táxi, fico culpada. Quero um volante, um guidón, uma manivela para reverter isso! Quero a depressão de volta. Penso em abolir meu remedinho. Quero ficar inconformada, insone, deprimida, chorando à toa, quero rebelar-me. &lt;br /&gt;Desde menina tinha horror a isso: a maldição dos alegrinhos. Quero parecer desgostosa. Detesto os velhos desleixados e barrigudos que me paqueram. Detesto os homens jovens que me ignoram. Quero usar burca, dormir pelada, cortar pelanca com a faca, esfaquear-me.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5263131920585591179-5647817242352392002?l=finitacomoflores.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='related' href='http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=5263131920585591179' title='Ei-la, Leila'/><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://finitacomoflores.blogspot.com/feeds/5647817242352392002/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5263131920585591179&amp;postID=5647817242352392002' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5263131920585591179/posts/default/5647817242352392002'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5263131920585591179/posts/default/5647817242352392002'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://finitacomoflores.blogspot.com/2010/07/ei-la-leila.html' title='Ei-la, Leila'/><author><name>GH</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07665796476132680903</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='21' src='http://4.bp.blogspot.com/_124d0SzjgBw/TIVCzH1MR9I/AAAAAAAAK2U/CWALNRvLIMs/S220/GH.Alhambra.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5263131920585591179.post-2393968209284442867</id><published>2010-07-17T20:17:00.000-07:00</published><updated>2010-09-05T18:26:35.887-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Vendas on line'/><title type='text'></title><content type='html'>Vendas on line &lt;a href="http://www.gloriahorta.net/livros.htm"&gt;http://www.gloriahorta.net/livros.htm &lt;/a&gt; Ou pelo e-mail finitacomoflores@gmail.com&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5263131920585591179-2393968209284442867?l=finitacomoflores.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='related' href='http://www.gloriahorta.net' title=''/><link rel='enclosure' type='' href='http://www.blogsdagloria.blogspot.com' length='0'/><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://finitacomoflores.blogspot.com/feeds/2393968209284442867/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5263131920585591179&amp;postID=2393968209284442867' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5263131920585591179/posts/default/2393968209284442867'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5263131920585591179/posts/default/2393968209284442867'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://finitacomoflores.blogspot.com/2010/07/finita-como-flores.html' title=''/><author><name>GH</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07665796476132680903</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='21' src='http://4.bp.blogspot.com/_124d0SzjgBw/TIVCzH1MR9I/AAAAAAAAK2U/CWALNRvLIMs/S220/GH.Alhambra.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5263131920585591179.post-4160805720161677744</id><published>2010-05-20T17:17:00.000-07:00</published><updated>2010-09-05T18:31:28.423-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Divertidades. Retratos'/><title type='text'>Divertidades.wmv</title><content type='html'>&lt;object style="background-image:url(http://i4.ytimg.com/vi/sKdMKRMuDWY/hqdefault.jpg)"  width="425" height="344"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/sKdMKRMuDWY?fs=1&amp;amp;hl=pt_BR"&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/sKdMKRMuDWY?fs=1&amp;amp;hl=pt_BR" width="425" height="344" allowScriptAccess="never" allowFullScreen="true" wmode="transparent" type="application/x-shockwave-flash"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5263131920585591179-4160805720161677744?l=finitacomoflores.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://finitacomoflores.blogspot.com/feeds/4160805720161677744/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5263131920585591179&amp;postID=4160805720161677744' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5263131920585591179/posts/default/4160805720161677744'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5263131920585591179/posts/default/4160805720161677744'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://finitacomoflores.blogspot.com/2010/09/divertidadeswmv.html' title='Divertidades.wmv'/><author><name>GH</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07665796476132680903</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='21' src='http://4.bp.blogspot.com/_124d0SzjgBw/TIVCzH1MR9I/AAAAAAAAK2U/CWALNRvLIMs/S220/GH.Alhambra.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5263131920585591179.post-2215699827441487093</id><published>2009-09-01T19:51:00.003-07:00</published><updated>2010-09-05T18:18:26.048-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Labirinto da criatividade'/><title type='text'>Labirinto da criatividade</title><content type='html'>Queria o que não pude. Mudei de idéia mil vezes. &lt;br /&gt;Vivi perdida no labirinto da criatividade. Medo do amanhã, do ridículo, das novas e inevitáveis perdas.  Não há mais pai nem mãe para morrer. Profissão para escolher. Amor imprevisto para nos surpreender,  ingênuos, confiantes, desavisados, porque a qualquer momento o coração poderia disparar e acontecer. Não há mais anseios, só ansiedades.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5263131920585591179-2215699827441487093?l=finitacomoflores.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://finitacomoflores.blogspot.com/feeds/2215699827441487093/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5263131920585591179&amp;postID=2215699827441487093' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5263131920585591179/posts/default/2215699827441487093'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5263131920585591179/posts/default/2215699827441487093'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://finitacomoflores.blogspot.com/2009/09/labirinto-da-criatividade.html' title='Labirinto da criatividade'/><author><name>GH</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07665796476132680903</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='21' src='http://4.bp.blogspot.com/_124d0SzjgBw/TIVCzH1MR9I/AAAAAAAAK2U/CWALNRvLIMs/S220/GH.Alhambra.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5263131920585591179.post-6570569871329738709</id><published>2009-09-01T19:50:00.005-07:00</published><updated>2009-09-01T19:50:56.082-07:00</updated><title type='text'>Questão de tempo</title><content type='html'>Também sou da água salgada. Implico com as sombras projetadas pelas árvores nas beiras dos rios, e com as pedras escorregadias, onde transitamos feito macacos, pobre coluna, aguinha rasa, miúda, fria. Gosto de andar rápido pela orla com o vento na cara e o sol fritando meu corpo, cabelos, peito do pé. Gosto de calor, espaço livre. Ficar de biquíni o dia inteiro e de noite. Nem tenho roupa de inverno direito. Nem de sapato fechado eu gosto. Mas fiquei de mal com Búzios. Búzios me traiu porque cresceu. E exagera, traz lembranças demais. Maravilhosas e tristes, foi tempo vivido forte, vivido às pressas, o mundo ia acabar e eu não podia perder um segundo. Lembro e me canso. Lembro e me invejo jovem quando minutos acumulavam lembranças e hoje a vida bate lenta e curta como um trailer de um filme em show-motion. Perdas demais. Pensava que os amigos morriam quando a gente ficava velhinha, mas pensava tudo errado, em cada canto uma história, uma morte, um enlouquecimento,  o nascimento de um burguês. Não fiz amigos novos lá. Aqueles que mantenho, carrego numa bandeja de prata. Em Búzios não me desligo, carrego os quilos de sonhos perdidos, arrasto saudades enferrujadas, fico pesada, é um passado e tanto a cada passada. Não sei quanto tempo vai durar, mas hoje curto a solidão da serra. Vai ser quanto for necessário. Sei que a placidez das pedras paradas na beira do rio vão me colocar leve, em breve, em movimento. É uma questão de tempo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5263131920585591179-6570569871329738709?l=finitacomoflores.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://finitacomoflores.blogspot.com/feeds/6570569871329738709/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5263131920585591179&amp;postID=6570569871329738709' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5263131920585591179/posts/default/6570569871329738709'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5263131920585591179/posts/default/6570569871329738709'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://finitacomoflores.blogspot.com/2009/09/questao-de-tempo.html' title='Questão de tempo'/><author><name>GH</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07665796476132680903</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='21' src='http://4.bp.blogspot.com/_124d0SzjgBw/TIVCzH1MR9I/AAAAAAAAK2U/CWALNRvLIMs/S220/GH.Alhambra.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5263131920585591179.post-4221904211453229745</id><published>2009-09-01T19:50:00.001-07:00</published><updated>2010-09-05T18:18:00.705-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Minha alegria'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='só vc me entenderia'/><title type='text'>Minha alegria, só vc me entenderia</title><content type='html'>Minha alegria, só você me entenderia. Alguém me seguisse na rua, internar-me-ia. Passo pelos Arcos da Lapa, sigo a Rua do Riachu em direção à maquete onde moro e eis que vejo uma farmácia, lembro que tenho em casa granola e compro leite Ninho. São onze horas da noite, estou voltando de um curso de Filosofia na Avenida Presidente Vargas. Compro leite Ninho porque é o único que encontro em meu caminho, assim são as donas de casa mudernas. Não pesquisam preços, não planejam compras, não têm sequer uma boca de fogão, e sigo sigo, embora avoada, atenta aos possíveis assaltos, sigo, caminhando e cantando e seguindo a canção, eis que revejo na minha frente os Arcos da Lapa de novo e percebo que ao invés de seguir, retornei. Dou meia volta e disfarço, volto, marcho. Faço crônicas pra você de cabeça. Talvez porque você é daquelas raras pessoas no mundo que ainda acham graça. Não posso viver sem você, cadê?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5263131920585591179-4221904211453229745?l=finitacomoflores.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://finitacomoflores.blogspot.com/feeds/4221904211453229745/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5263131920585591179&amp;postID=4221904211453229745' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5263131920585591179/posts/default/4221904211453229745'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5263131920585591179/posts/default/4221904211453229745'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://finitacomoflores.blogspot.com/2009/09/minha-alegria-so-voce-me-entenderia.html' title='Minha alegria, só vc me entenderia'/><author><name>GH</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07665796476132680903</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='21' src='http://4.bp.blogspot.com/_124d0SzjgBw/TIVCzH1MR9I/AAAAAAAAK2U/CWALNRvLIMs/S220/GH.Alhambra.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5263131920585591179.post-880754623179222795</id><published>2009-09-01T19:48:00.001-07:00</published><updated>2010-09-05T18:17:31.806-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='A chave do cativeiro'/><title type='text'>A chave do cativeiro</title><content type='html'>Vou despertar, estejam seguros.  Vou fugir desta prisão financeira, arrimo de família, tripla jornada. Entrei no jogo do empréstimo porque era balsa e eu me afogava. Fiz um pacote pesado cheio de anos de vida, a minha, e agora troco por dinheiro.  Sem ganância, vou botar ordem no bambolê dos planetas. Organizar as órbitas descontroladas e retomar meu signo.  Vou telefonar pros amigos que tenho e que ainda estão vivos, mágicos, por dentro, por fora e do avesso. Vou garimpar, recolher agulhas do palheiro. E vou dar uma big festa e convidar o mundo inteiro.  Assim que localizar, meticulosa procura, a chave do cativeiro.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5263131920585591179-880754623179222795?l=finitacomoflores.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://finitacomoflores.blogspot.com/feeds/880754623179222795/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5263131920585591179&amp;postID=880754623179222795' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5263131920585591179/posts/default/880754623179222795'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5263131920585591179/posts/default/880754623179222795'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://finitacomoflores.blogspot.com/2009/09/chave-do-cativeiro.html' title='A chave do cativeiro'/><author><name>GH</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07665796476132680903</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='21' src='http://4.bp.blogspot.com/_124d0SzjgBw/TIVCzH1MR9I/AAAAAAAAK2U/CWALNRvLIMs/S220/GH.Alhambra.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5263131920585591179.post-7292577262203600837</id><published>2009-08-29T08:38:00.000-07:00</published><updated>2010-09-05T18:15:07.406-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Os nós imortais'/><title type='text'>Os nós imortais</title><content type='html'>O MUNDO É DE HADES&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Morremos nós, simples mortais, ficam os nós, atemporais. Ficam as filhas, ilhas, em busca de um colo de mãe, fica a mãe-terra, e a que não mais germina, fica dentro de nós a menina. Morremos sós.&lt;br /&gt;O escuro do mundo das trevas, para onde somos arrancados volta e meia: pesadelos, hospitais, loucuras temporárias, paixões imaginárias, viagens solitárias, delírios, um carro atolado na estrada de terra à noite, uma obsessão, um porre, um cartão de ponto, carnaval, coração que dispara instantes. Fora de órbita, fora do ar, fora de si. Amnésia. Gagueira súbita e fugaz, que paralisa a voz, sai de si, interrompe o pensamento lógico, lapsos, tonteiras, brancos, ausências, esquecimentos, desligamentos, mentiras aderentes, camas convalescentes, câimbras, comas, memória que turva, neblinas na curva, lembranças que falham, mãos que se atrapalham, pés que tropeçam, palavras que escapam, voz que treme, mãos que tremem, um degrau a mais na escada do metrô e caio de joelhos porque fui ler a filipeta da manicure com óculos para perto e o chão saiu de foco. E sonhos, sonos, sufocos, tudo pertence a Hades.&lt;br /&gt;Quando me perco no escuro de mim mesma e combino com a realidade necessária que vou fingir aceitá-la, e que a terra é firme, o amor seguro, e que é justo pagar contas em dia, e que então tá. &lt;br /&gt;Nós cíclicos. Deméter terra à vista, Melaine no deserto, a que não mais floresce enquanto o fruto cresce, e a primavera que insiste em nos dar flores de volta, sem cartões e sem lacinhos, e a moçoila seqüestrada por carruagens aladas vindas do interior do breu da terra, puxadas por cavalos cegos pela luz, e bago de romã sorrateiro, doce armadilha, feito sexo escondido. &lt;br /&gt;O compromisso diário de voltar ao trabalho, à lucidez dos planos fictícios, a distração narcisística, a flor preta, a sedução do homem invisível que irrompe para sacar-me feito saldo. &lt;br /&gt;Trazemos em nós os nós: todos os componentes dos entrelaçamentos, circunstâncias de todos os mitos, constelações de todos os tecidos, novelo de todas as tramas, situações, eventos. Perda, distração, desencontro, reencontro. A chama primaveril quando nos pensávamos mortos, o trato, o pacto, o descompromisso. &lt;br /&gt;Deméter, quede seu rebento?&lt;br /&gt;Hades, nem te conto. Arrebatou-me a escuridão por onde adentrei por meus próprios passos. Eu me perdi na trilha da pousada e, mulher da cidade, tropecei, sem rumo, atordoada pelos vaga-lumes alegóricos que acendiam o rabo e nada iluminavam, nunca os vi tão sem beleza e tão numerosos, a multidão de luzes mínimas que, pilhéria, em vez de me orientar, piscavam marotos onde eu menos esperava. &lt;br /&gt;Ouvi o mijo da terra e pensei que estava à beira do abismo, de um ataque de nervos, ou na fonte de um riacho, mudei de lado e por acaso não atravessei a ponte que, no breu, é perigosa por natureza, e sombreia pedras bem fincadas. O chão de terra molhada sumiu debaixo dos meus pés e caí de barriga, chorando, com ódio de mim mesma: eu tinha a mais absoluta certeza de que, se eu não morresse desorientada nessa mata, riria, em menos de vinte e quatro horas, do infortúnio de perder o rumo, qual criança de conto de fada, na floresta alheia, chorando sem lágrimas, grunhindo para as árvores surdas. &lt;br /&gt;Caí num buraco quase do meu tamanho, rasguei a saia, arranhei o braço, lama na bainha, vou expor a saia na Sala dos Milagres. Crianças no dia seguinte chamavam-se umas às outras para ver o buraco onde a glória caíra, qual anjo. &lt;br /&gt;Assim o patético desespero, o luto negro da minha perdição e do meu solitário infortúnio tornaram-se divertimento, e sou a primeira a criar as falas da esquete da carioca que quase se afoga no riachinho, sem norte, sem lanterna, celular, isqueiro ou remédio, agarrada num pão de forma que não larguei nem pra sair do burado à minha altura. Se o dia nunca mais clareasse e se ficasse presa eternamente no buraco negro que nada liberta, se tivesse que morrer do coração ou de cabeçada num barranco para sempre teria entre os dedos crispados um pão, o trigo, o alimento. &lt;br /&gt;Nada era simbólico, nem eu sonhava. Tudo acontecia. Era verdade que eu estava às escuras tateando um terreno irregular pontuado por barrancos, rios, cercas de arame farpado, lama, grama, subidas e descidas aleatórias, chão e céu misturando-se igualmente negros e indiferentes aos meus gritos que somente um cão, talvez do Rio de Janeiro, ouvia e uivava respondendo ao longe. Ele virá, o cão, eu pensava. Ele enxerga no escuro e não veio. &lt;br /&gt;Nem lua, nem raio, relâmpago, lampião, palito de fósforo. Quanto menos lâmpada. Só bunda de vaga-lume inesperada, mais nada nada nada. Em vez de regressar, ainda assim eu seguia, tateando, urrando como filme de terror americano. &lt;br /&gt;Se eu gritasse assim em minha casa com certeza teria à minha disposição em pouco tempo um corpo de bombeiros com sirenes só pra mim, mas na roça só um uivo de cachorro retornava. &lt;br /&gt;Toquei a cerca, mãos frias, tudo era ouvido e tato e, passo a passo, voltei para a estrada, cega e transtornada, transformada. Na manhã seguinte refiz dez vezes o caminho, tonta, tentando identificar qualificando os tropeços e as quedas da minha curta e atormentada jornada. &lt;br /&gt;É a crise que nos transforma, é o amor que nos  transmuta. A mãe também é filha e não conheço esta senhora que ora me habita ilesa. Com disciplina aprendo a entrevistá-la todos os dias, e ela nem tem respostas prontas. &lt;br /&gt;Como vou deixá-la agir sozinha, se nasceu dentro de mim uma mulher madura inteira, vinda com contrações de machadadas na dor de cabeça, como quem vem à luz adulta e armada, Atená guerreira que fulmina em nome da paz, escudo em punho, bem polido para refletir Medusas, para espantar medos careteiros de língua de fora que usará como emblema camafeu no peito enquanto alguém tiver receio do encontro. &lt;br /&gt;Trago no meu coração coleções de Medusas assustadas, gréias quase cegas, juventudes degoladas, dois sangues, um cavalo alado voando pra fora da minha cuca e minhocas na cabeça linguaruda. &lt;br /&gt;Sei do amor que petrifica, da circunstância em que fico sem fala, e quando falo o outro não me ouve, segue conversa afora. Estou à mesa, diante de todos, mas minha voz não tem eco, penso que digo mas repito, e alguém finge que não ouve, ou finge que ouve e se distrai em plena frase. &lt;br /&gt;Sei do apaixonar-se pelo homem que só existe verdadeiramente como um reflexo, quase miragem, no fundo do poço, do lago escuro onde quem morre vai em busca de si mesmo, porque a juventude foi perdida levando no bolso nossas referências. Mas não viro pedra, faço flores, narcisos negros, louros, loureiros. &lt;br /&gt;Eco sem voz, quase invisível, cobras e lagartos na boca aberta, áurea e alada, menos aterrorizante que aterrorizada, língua esticada, ninguém me olha. Falar demais e ficar condenada a repetir a última frase do outro dá no mesmo. Em ambos os casos perdemos o curso, o discurso, o contato com o que nem sou eu, não responde, ou é surdo ou morreu. &lt;br /&gt;Cassandra, que tem o dom de prever o futuro e a maldição de não ser levada a sério. Já fui Eco, Narciso, pedra, flor, trigo, Deméter, filha que sai de casa aos pouquinhos, mãe seca, ama seca, já tive peitos de leite, vagina de sangue, raízes no ventre, pólen no vento, semente invisível, mentira indizível, amor impossível, esposa ciumenta que, irada, não perdoa, amaldiçoa, amaldiçoa, amaldiçoa. &lt;br /&gt;Todos nós vimos o séqüito de fãs que contemplaram a princesa, a que sofria de solidão de artista, cercada de longe por pessoas admiradas, que acompanharam de tocaia a trajetória, sem dividir convívios. &lt;br /&gt;Essa categoria de proximidade, o fã, que no afã idealizamos de propósito, para acreditarmos por favor que existe gente bem-resolvida, e se isso é possível eu também quero. &lt;br /&gt;Pessoas que não viram pedras, são estandartes. Se têm a sorte de morrer cedo, são jovens heróis semi-deuses. Caso tenham outra sorte, a de viver muito, se esquecem de pedir aos deuses a juventude eterna e se imortalizam velhas no retrato em livros feito gréias. Quando morrem dão matéria. Cristalizam-se em museus ou até nome de rua. Transformam-se em passeio público, quer pior forma de esquecimento? Quem quer estar engarrafada, quem quer ser contra-mão, sinalizada, ter as luzes apagadas? Prefiro ser esquecida que asfaltada. &lt;br /&gt;Queria descansar, viva. Receber Héstia em minha casa com o fogo aceso, o incenso, a lamparina, a vela, o coração quente, oferecer-lhe um café feito na hora em meu fogão de lenha, emprestar-lhe cobertas de cobrir pés, e sussurrar em seus ouvidos de deusa meus segredos de família: &lt;br /&gt;- Não quero um marido Zeus que tudo em que toca se multiplica. Quero um companheiro da minha idade, com poderes de invisibilidade, que não voe de manhã imberbe, antes que eu lhe veja o rosto magnífico, e o cabelo louro de cachos, zombando de arco e flecha e deixando-se queimar por óleo ardente. &lt;br /&gt;Não quero quem devora os filhos, prioriza o trono, Crono. Narciso no espelho da academia, triste e enfadonho. Do meu inferno quero o dono, o que sempre negocia. &lt;br /&gt;Não quero ser Hera, maldizendo e amaldiçoando amante por amante. Nem quero Hefestos, feio, o dia inteiro trabalhando suado em oficina quente. Maquinando o flagrante, com trauma de penhasco.&lt;br /&gt;Quero estar com Hades, carruagem com tração nas quatro rodas, amante delicado como bagos de romã convidativos feito bilhetinho por baixo da mesa, Senhor de Si e dos Quintos dos Infernos, hospitaleiro. &lt;br /&gt;A poesia é o mundo subterfúgio para onde me dirijo quando o indizível me arrebata e me nomeia Rainha dos Infernos para que eu encare de frente a rotina das estações e do eterno morrer para que algum broto desabroche. &lt;br /&gt;Quero a realidade subterrânea, as estradas de terra que os mapas não registram, e até os bons filmes do cinema, onde o escuro nos transporta para outros mundos com a certeza de que em duas horas as luzes se acendem e levantamos todos, com aquela cara de quem chegou de viagem longa, de quem sai feliz talvez do transe, acorda de súbito depois de sonhos fortíssimos, ou termina de gozar alto feito bicho, volta a si, e acha que tem que falar alguma coisa. &lt;br /&gt;Hoje quero ser querida. Inteira e perseguida. Perséfone, não a raptada brejeira, que grita mamãe tão baixo que quase ninguém ouve, mas a Senhora e Soberana das Trevas Absolutas que, vamos ser sinceros, é onde passamos a maior parte de nossa vida.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5263131920585591179-7292577262203600837?l=finitacomoflores.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='related' href='http://www.nosimortais.zip.net' title='Os nós imortais'/><link rel='enclosure' type='' href='http://www.nosimortais.zip.net' length='0'/><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://finitacomoflores.blogspot.com/feeds/7292577262203600837/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5263131920585591179&amp;postID=7292577262203600837' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5263131920585591179/posts/default/7292577262203600837'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5263131920585591179/posts/default/7292577262203600837'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://finitacomoflores.blogspot.com/2009/08/os-nos-imortais.html' title='Os nós imortais'/><author><name>GH</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07665796476132680903</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='21' src='http://4.bp.blogspot.com/_124d0SzjgBw/TIVCzH1MR9I/AAAAAAAAK2U/CWALNRvLIMs/S220/GH.Alhambra.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5263131920585591179.post-2569193911089145938</id><published>2009-08-23T08:33:00.000-07:00</published><updated>2010-09-05T18:14:38.914-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Marino'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='seja bem-vindo ao Planeta Terra'/><title type='text'>Marino, seja bem-vindo ao Planeta Terra</title><content type='html'>Marino, seja bem-vindo ao Planeta Terra. A vida é meio atrapalhada mas a gente curte algumas coisas que fazem com que ela valha a pena.  Uma é a arte, a música. Sobre isso, seu pai e seu irmão podem te dar vários toques.  Outra coisa muito boa é o bom humor, a alegria e a arte de fazer e achar graça onde a maioria das pessoas (a maioria é chata, infelizmente) não consegue achar.  Sua mãe é PHD em risos, sorrisos e gargalhadas. Acho que você deu muita sorte porque a gente não escolhe onde vai nascer.  Ofereço-me para ser sua tia. Se você aceitar, está autorizado a me chamar de tia, ou de Góia, que gosto muito, o Julian assim me rebatizou. Não sabia falar Glória,  me chamava de Bóia. Maíra era Baía. Como é bilíngue, mistura, dizia que o piano quebroken, que as coisas estavam in dentro, chamava luva de    gluvas e um monte de besteiras que divertiam a gente. Adulto se diverte ouvindo criança falar errado, você vai perceber. Meu nome, de baía passou pra Góia e eu gostei. &lt;br /&gt;Ofereço-me também para tomar conta de você. Tomei conta do Julian inúmeras vezes, tenho carta de recomendação da Kris.  Deixo criança comer açúcar puro, pão com arroz, ketchup de colher, biscoito na hora do almoço, sorvete na hora do jantar e outras maluquices que você inventar.  &lt;br /&gt;Eu era vizinha do teu pai e amiga da tua mãe e os dois se conheceram sem o meu intermédio, mas, concluo, iam acabar se conhecendo de qualquer maneira. Sexta-feira que vem, por exemplo, tem ensaio do Suvaco do Cristo no Baixo Santa do Alto Glória e provavelmente, se você não tivesse acabado de nascer e não estivesse dando o maior trabalho, os dois iam ser convidados e iam se conhecer. Você seria adiado para o ano que vem. &lt;br /&gt;Não leve a vida muito a sério mas tente manter os pés no chão.  Dizem que a vida é curta, mas não acredite. Ela é longa pra caramba e está cada dia aumentando ainda mais.  A expectativa de vida aumentou para cem anos e não há muito o que fazer. Vá com calma.  Não vá ficar chorando só porque a chupeta caiu. Torço pra que você seja um menino bacana como teu pai e tua mãe, que seja feliz, juntando-se a nós, sua família alternativa: Maíra, Julian, Kris, Jorge, Bruno, Teca e outros amigos de seus pais.Tem a família de sangue, a que a gente nasce  dela, e tem a família que a gente constrói ao longo da vida. Posso te dar boas referências de seus pais, fique tranquilo, os dois são gente boa e nunca vão atazanar você. Assim que você for liberado pra pegar sol, venha tomar um banho de mangueira na laje, é muito maneiro. A gente vê Niterói, o Museu de Arte Contemporânea, navios, aviões, papagaios, bem-te-vis, cachorros, urubus, minhocas e saguis. Bem, por enquanto você ainda não sabe o que é nada disso, mas com o tempo vai aprendendo.  Posso te dar uma força pra você não confundir minhoca com bem-te-vi, etc. É facílimo, não fique assustado. Ninguém confunde, não há de ser você que vai confundir.  É só ter paciência. Na vida a gente nunca pára de aprender coisas. Quando a gente pensa que sabe tudo, aí é que danou.  As verdades mudam de roupa, e temos que estar sempre correndo atrás.  &lt;br /&gt;Bem, cara, é isso aí, espero que você curta tua tia aqui. O Planeta Terra é bacana. Apesar de tudo, vale a pena viver.  &lt;br /&gt;Bjks&lt;br /&gt;Góia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cheguei no Rio há dois dias. Reencontro minha amiga Glória. Fim de vista ganho seu novo livro. Li entre uma madrugada e outra. &lt;br /&gt;Será que ela sabe que deu voz  à mulher na menopausa? Será que percebeu que iniciou um movimento? Será que sacou que vou segui-la? Será que sabe que vai assustar as mulheres na sala dos cabelereiros e spas? Enloquecer os terapeutas? Será?&lt;br /&gt;Comi as letras de dor, graça e ritmo. Deu vontade de chorar mas não tive tempo andando de página em página com muita pressa.&lt;br /&gt;Glória não sai de si e inclui todas as mulheres do mundo. Uma arqueologia do envelhecimento, que descontroi a velhice de cada dia. &lt;br /&gt;É coisa de mulher, com certeza . Mas não de um feminismo facil das “mulheres resolvidas”. Glória não resolveu nada , graças a Deus! Está em carne Viva! Fala do que ninguém quer falar. Não acompanha a moda nem a elegância babaca de uma zona sul que ficou chata e besta. Não quer ser sutil e discreta. Não discrimina nem incrimina a vida pela santa dor de cada dia Amem. &lt;br /&gt;Libertando nosotros aprisionados pela sociedade do espetáculo.  Acordou cedo , foi ao cais e desafundou aquele velho navio. Glória, minha capitã da nave louca.  &lt;br /&gt;Sua alegria.&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Leila Maria Alvarenga Barbosa -Professora de História pela Puc. Mestranda em Social Work na University of Michigan. Ann Arbor&lt;br /&gt;&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Perdi a moça que me habitava. Quem conheceu guarde o retrato, quem não viu perdeu a chance" (Glória Horta)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Glória, lendo-te mais do que infinitas vezes&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu conheci a moça que te habitava. Linda como toda flor o sabe ser mesmo não sendo primavera. Encontrei-a por acaso dentro de um coletivo que vinha de Laranjeiras, você falava alto, declamava versos sorrindo e o ônibus cheio indo não sei bem para onde. Eu que não me habitava naquela altura, estava perdida dentro de mim mesma sem saber aonde ir.  &lt;br /&gt;A vida passou e resolvi, depois de encontrar a moça que te habitava, viver, lutar contra tudo e contra todos, contra os preconceitos, não tinha medo de canhões nem de tiros certeiros. A poesia se instalou em mim, veio como praga, veloz como teu riso, tua dramatização, tua emoção. Vesti uma calça colorida e voltei à Favela, ela ainda estava lá enfeitada de bandidos, de casas pobres, de pessoas simples e pensei: é aqui que começo de novo, com novo sorriso nos lábios, flores ao invés de armas empunhada na cintura, poesia ao invés de tiros no escuro, sou eu de novo inteira sem ninguém, entregue à poesia. E acompanhei dali por diante a moça que te habitava, que moça alegre e cheia de poesia, cheia de vida, me trouxe de volta à vida.&lt;br /&gt;Hoje a moça que te habitava continua sorrindo olhando para mim, na cabeceira da minha cama, ando com ela desde então porque tinha medo de perder o que se instalou dentro de mim quando te conheci. &lt;br /&gt;Finita como flores nos trás de volta a mesma Glória de Sangria, sem seus cachos no cabelo é certo, sem a boina preta, mas, com a mesma força de outrora, com o mesmo sorriso estampado no rosto da foto da moça que te habitava e declamava a Amizade Dolorida. &lt;br /&gt;Trago comigo Sangria: entre os livros da eternidade da minha mocidade e quando te leio revejo os teus gestos infinitos, teu jeito menina, mulher, mãe, avó, andarilha, és sempre tão nova, e ao mesmo tempo, tão segura como se todo tempo fosse só isso a tua vida, porque Gloria Horta é assim infinita como o perfume das flores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Lilia Trajano, poeta carioca perdida em Lisboa. 2010&lt;br /&gt;Mestre em Serviço Social, Educadora de Rua, Assistente Social, e poeta.&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PREFÁCIOS&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Conhecer Glória Horta foi uma consequência inevitável de Sangria, um de seus livros, publicado nos anos 80.  Que fenômeno era aquele que não me deixava desgrudar os olhos das palavras a entornar vida, página após página? Eram palavras com respiração, febres, berros, contrações. Que relação era aquela da autora com o verbo, que se dava de forma tão despudorada, verdadeira e imoralmente bela?&lt;br /&gt;Por sorte, à época, um amigo em comum possibilitou nosso encontro, e eu tratei logo de pegar diretamente com ela dez exemplares de Sangria para presentear algumas pessoas.  A reação de encantamento dos meus presenteados com as palavras de Glória foi a mesma, o que não me causou surpresa. &lt;br /&gt;Alguns anos se passaram e eu a perdi  de vista. Mas seus textos, suas prosas, seus versos, ficaram entranhados em mim, pedindo mais. E eis que chegam os anos 90, e com ele a internet, que tornou muito mais fácil a minha busca por Glória Horta (obrigada, internet, por me permitir reencontrá-la).  A partir de então, pude estabelecer uma relação mais estreita não só com a autora, mas também com a autora da autora, ou seja, com a ‘pessoa’.  Ambas se confundiam. Para minha felicidade, nos tornamos boas amigas explorando as possibilidades virtuais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não consigo imaginar Glória dissociada das palavras, fazendo outra coisa que não seja escrever, escrever e escrever. É como se essa mulher, escritora, vivente e sobrevivente, tivesse vindo ao mundo com a missão exclusiva de traduzir os espasmos da existência em prosa e verso, dançando nua pelas palavras como quem liberta a si e aos pobres mortais dos próprios limites.&lt;br /&gt;Hoje, modestamente, ela dá ao seu mais novo livro o título “Finita como flores”.  Como se Glória Horta tivesse algo a ver com finitudes. Tudo nela é infinito, de eternos recomeços, vendavais e calmarias. Mas as palavras jorram como água de fonte sem que eu lhes conceda um sentido, diz a autora no texto que dá nome à obra. Ao que eu complementaria: as palavras dela  jorram aos cinco sentidos de quem bebe dessa fonte, ainda que não lhes seja concedido um sentido. &lt;br /&gt;Nas letras e na vida, Glória Horta me ensinou a aprender o humano, demasiadamente humano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Marcia Cardoso&lt;br /&gt;Tradutora, revisora e eterna leitora de Glória Horta&lt;br /&gt;Abril 2010&lt;br /&gt;&lt;/b&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5263131920585591179-2569193911089145938?l=finitacomoflores.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://finitacomoflores.blogspot.com/feeds/2569193911089145938/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5263131920585591179&amp;postID=2569193911089145938' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5263131920585591179/posts/default/2569193911089145938'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5263131920585591179/posts/default/2569193911089145938'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://finitacomoflores.blogspot.com/2009/08/marino-seja-bem-vindo-ao-planeta-terra.html' title='Marino, seja bem-vindo ao Planeta Terra'/><author><name>GH</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07665796476132680903</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='21' src='http://4.bp.blogspot.com/_124d0SzjgBw/TIVCzH1MR9I/AAAAAAAAK2U/CWALNRvLIMs/S220/GH.Alhambra.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry></feed>
